Alô, é do Var? O telefonema de Trump e a diplomacia do cartão vermelho

​Em decisão inédita, Fifa anula expulsão de norte-americano após "fio de bigode" presidencial, despertando a fúria da Europa e redefinindo os limites do Fair Play.

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​O futebol sempre se orgulhou de suas regras universais, mas parece que o peso do telefone presidencial americano inaugurou uma nova jurisprudência nos gramados. A anulação do cartão vermelho de Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos, na partida contra a Bósnia e Herzegovina, transformou os bastidores da Fifa em uma comédia diplomática que nem o mais cínico dos roteiristas conseguiria prever.

 

Gianni Infantino, o homem que comanda a entidade máxima do esporte, veio a público com a tradicional postura de quem preza pela transparência, mas acabou entregando um enredo digno de bastidores de Brasília ou Washington. Infantino confirmou, sem meias palavras, que recebeu um telefonema direto de Donald Trump. O pedido? Uma revisão minuciosa da expulsão aplicada pelo árbitro brasileiro Raphael Claus. O dirigente garantiu, com a habitual frieza corporativa, que a ligação foi apenas um bate-papo informal e que ele não mexeu um único dedo para influenciar o comitê de arbitragem. Coincidência ou não, o cartão sumiu e Balogun voltou a estar limpo na competição.

A justificativa de que não houve interferência política convenceu um total de zero pessoas no Velho Continente. A Uefa, que costuma medir as palavras em disputas institucionais, abandonou a diplomacia de terno e gravata para afirmar que a Fifa “ultrapassou uma linha vermelha”, classificando a reviravolta como algo “incompreensível e injustificável”. O recado foi claro: se a moda pega, os árbitros precisarão consultar a agenda de chefes de Estado antes de levar a mão ao bolso de trás.

No banco dos críticos, o tom subiu rapidamente, deixando o vocabulário técnico de lado. Wayne Rooney, que conhece bem a rigidez dos gramados ingleses, não escondeu o desgosto e definiu o episódio como uma “vergonha absoluta”. Já Jürgen Klopp, conhecido por sua intensidade e pouca paciência para burocracias extracampo, foi direto ao ponto ao resumir a lambança jurídica como uma “loucura”.

Enquanto a Fifa tenta emplacar a narrativa de que tudo não passou de uma correção técnica e justa, o futebol mundial assiste a um precedente perigoso. Se o critério para anular cartões agora passa por conexões de longa distância com a Casa Branca, os próximos jogos prometem menos tática e muito mais minutos de ligação internacional. Claus aplicou a regra do jogo, mas descobriu que, no topo da pirâmide esportiva, o apito final pode vir de um telefone de Donald Trump.

Ironicamente os EUA foram desclassificados pela Bélgica numa goleada de 4 x 1.

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