​Do videogame à elite da economia global: o estudante cearense que superou as potências do Oriente e do Ocidente

​Aos 16 anos, Arthur Alencar Spuri supera representantes das maiores economias do mundo na China poucas semanas após ser premiado na Colômbia em olimpíada de física

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​Houve um tempo em que fazer a lição de casa terminava em choro e a única preocupação do dia era passar de fase no videogame. Poucos anos depois, a rotina de Arthur Alencar Spuri mudou de escala: o jovem cearense de 16 anos acaba de ser consagrado o melhor estudante de economia do planeta.

Aluno do 2º ano do Ensino Médio no Colégio Farias Brito, em Fortaleza, Arthur alcançou a pontuação máxima de 199,469 pontos na 9ª Olimpíada Internacional de Economia, encerrada em Shenzhen, na China. O desempenho garantiu ao brasileiro o título de Overall Winner (vencedor geral), deixando para trás delegações históricas em torneios acadêmicos, como as de Singapura, Hong Kong, Estados Unidos, Suíça, Japão e da própria China.

A competição reúne anualmente jovens talentos testados em análises financeiras, teorias econômicas e resolução de problemas práticos de negócios. Além do primeiro lugar individual, Arthur liderou a equipe brasileira no estudo de caso, etapa em que os participantes precisam diagnosticar gargalos econômicos reais e propor soluções aplicáveis em poucas horas.

O feito na Ásia não veio isolado. Pouco antes de desembarcar em solo chinês, o estudante estava em Bucaramanga, na Colômbia, onde faturou a medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física. A dobradinha em duas áreas distintas reforça um perfil multidisciplinar que acumula marcas em exames de matemática, astronomia e informática.

Apesar dos números impressionantes, Arthur recusa o rótulo de talento inato. Para ele, o resultado é fruto de repetição, organização e perseverança diante das falhas ao longo do percurso.

“Quero provar que aquele menino que chorava fazendo a lição de casa e só pensava em jogar videogame conseguiu evoluir, trazer orgulho para o país e competir de igual para igual com os melhores do mundo”, relata o estudante.

A trajetória reflete uma mentalidade de longo prazo construída no hábito diário de estudo. Em um cenário em que a pressão por resultados precoces costuma afastar jovens da ciência, a experiência de cair e recalcular a rota tornou-se parte do aprendizado.

​”Às vezes, você tenta um projeto e dá errado, você vai tentar uma carreira e não funciona, mas o importante é você conseguir se levantar, tentar de novo, melhorar e aprender ao longo do processo, porque quando você finalmente estiver pronto, as coisas vão dar certo”, afirma Arthur.

Com o troféu na bagagem e o reconhecimento internacional, o estudante retorna ao Brasil mantendo a rotina de preparação para os próximos desafios acadêmicos, provando que a constância diária vale mais do que qualquer atalho.

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