Miniaturas que gigantizam o olhar: Teatro Lambe-Lambe ocupa João Pessoa no próximo fim de semana

​Com espetáculos individuais assistidos dentro de caixas e voltados a um único espectador, o projeto “Na Rota do Sol” promove o intercâmbio entre atrizes brasilienses e paraibanas na UFPB e no Sesc

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​O olho foca no visor, os fones isolam o som do redor e, de repente, o mundo inteiro cabe dentro de uma caixa de sapatos. O Teatro Lambe-Lambe, linguagem cinquentenária nascida na Bahia que transforma a caixa fotográfica antiga em um palco secreto e individual, ganha a cena em João Pessoa no fim deste mês. O grupo brasiliense As Caixeiras Cia. de Bonecas aporta na capital paraibana nos dias 24 e 26 de julho, trazendo a caravana do projeto “Teatro Lambe-lambe na Rota do Sol”, que cruza o Nordeste costurando encontros artísticos e acessibilidade.

​A programação começa na sexta-feira (24), no campus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Às 15h, o público pode participar de um debate aberto com as artistas e, a partir das 16h, as caixas cênicas se abrem para o público. No domingo (26), a estrutura migra para o Sesc Centro JP, com sessões a partir das 15h. Todas as atividades são gratuitas e contam com recursos de acessibilidade, como audiodescrição e tradução em Libras.

​Fundado em Brasília em 2007, o coletivo As Caixeiras é composto por Amara Hurtado, Jirlene Pascoal e Mariana Baeta. Na bagagem, elas trazem três pesquisas distintas que resumem o lirismo da técnica: “Amor – Título Provisório e Inalterável”, “Quinina” e “A Partida”. O charme da circulação, no entanto, está no diálogo com a produção local. Em cada parada da turnê, que já passou por Pernambuco e segue para o Rio Grande do Norte, criadoras da região dividem o espaço e o público, mostrando a força da animação de bonecos no território nordestino.

​Na UFPB, a produção paraibana mostra suas credenciais com Amanda Viana, do Grupo Boca de Cena, apresentando os mistérios de “Dona Mariô”, e Joana Vieira com o espetáculo “Lambe-Lengo”, um flerte bem-humorado entre o tradicional mamulengo e o minimalismo da caixa. Já no Sesc, o cardápio ganha as assinaturas de Ana Cristina Figueiredo, que narra o misticismo do capoeirista baiano em “As Aventuras de Besouro”, e de Thaisy Santos, com a densidade dramática e devota de “Seu Ciço”.

​Mais do que assistir a uma peça, a experiência do Lambe-Lambe inverte a lógica dos grandes palcos e das multidões. É o teatro do detalhe, do cochicho e do vínculo imediato. Em tempos de telas digitais onipresentes, a proposta convida a desacelerar o passo e espiar, pelo buraco da fechadura, a poesia viva que acontece ali dentro.

Com assessoria

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