O diagnóstico de câncer de próstata costuma impor aos homens um dilema doloroso: de um lado, a urgência de eliminar a doença; de outro, o fantasma da impotência sexual e da incontinência urinária, sequelas historicamente atreladas aos tratamentos convencionais. No entanto, uma recente resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) abre as portas para uma terceira via na saúde masculina brasileira, autorizando procedimentos que destroem o tumor por meio de choques térmicos localizados, preservando a anatomia do paciente.
As novas técnicas, conhecidas como terapias focais, representam uma mudança de paradigma ao abandonar a lógica de remover ou irradiar toda a glândula. Elas são direcionadas exclusivamente a pacientes com tumores de baixa agressividade, que estejam restritos a uma única região do órgão. O princípio baseia-se em mirar no alvo exato, poupando os tecidos saudáveis ao redor.
Na prática, a medicina passa a contar com duas frentes opostas de temperatura. O HIFU (Ultrassom Focado de Alta Intensidade) atua como um superaquecedor microscópico, disparando feixes de ondas sonoras que elevam a temperatura do tumor a cerca de 90 °C, dizimando as células malignas pelo calor. Já a crioablação segue o caminho inverso: agulhas finas guiam um congelamento severo diretamente no nódulo, matando a estrutura tumoral pelo frio extremo.
Médicos especialistas ponderam que a inovação traz fôlego e qualidade de vida, mas exige pés no chão. Por não se tratar de uma remoção global do órgão, o paciente submetido a essas técnicas entra em um protocolo rigoroso de monitoramento contínuo. Isso significa que a rotina pós-procedimento incluirá exames periódicos de PSA, ressonâncias magnéticas e eventuais novas biópsias para assegurar que a doença não reapareça ou que novos focos não se desenvolvam em outras partes da próstata.
A urgência por novas abordagens ganha força diante dos números de saúde pública. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta uma média de 77.920 novos casos anuais da doença no Brasil para o triênio atual, o que equivale a aproximadamente 74 ocorrências a cada 100 mil homens. O grande desafio da comunidade médica, contudo, permanece na linha de frente: o rastreamento preventivo.
Como a enfermidade costuma ser totalmente silenciosa em seus estágios iniciais, a recomendação geral é que os homens iniciem os exames de sangue (PSA) e de toque retal aos 50 anos, ou aos 45, caso haja histórico familiar. Esperar por sintomas como dores na pelve ou na coluna geralmente sinaliza que a doença já se espalhou, reduzindo drasticamente as chances de cura. Associado às consultas de rotina, o autocuidado diário, que envolve exercícios físicos e alimentação balanceada, segue sendo a principal blindagem para a longevidade masculina.
Com assessoria USP





