O clima no Rio Grande do Norte mudou de ritmo de forma drástica em 2026. Em pouco mais de um semestre, a atmosfera sobre o território potiguar descarregou uma quantidade de energia impressionante: foram 68.098 raios contabilizados até a metade de julho. O número assusta não apenas pelo impacto visual e sonoro, mas pelo salto estatístico. Ele ultrapassa com folga as 43.833 ocorrências registradas ao longo de todos os doze meses de 2025.
Quando comparado o mesmo recorte temporal, de janeiro a julho, o crescimento atinge 58,1%. Esse comportamento extremo do tempo, monitorado pela plataforma Climatempo e compilado pela Neoenergia Cosern, redesenha as preocupações com segurança e infraestrutura no estado. No topo do ranking da vulnerabilidade está o município de Apodi, que sozinho concentrou 3.855 descargas, tornando-se o ponto mais afetado por esse bombardeio luminoso.
Essa intensidade vinda do céu traz reflexos imediatos no cotidiano das cidades. No primeiro semestre, as oscilações provocadas pelas tempestades interromperam o fornecimento de luz para cerca de 260 mil lares e comércios. Embora os apagões tenham durado poucos minutos, a frequência dos episódios obrigou a concessionária local a mudar de estratégia. A resposta incluiu a instalação de novos sistemas de proteção e o uso de algoritmos de inteligência artificial em religadores automáticos, dispositivos que isolam a área afetada e restabelecem o fluxo elétrico de forma quase instantânea.
Para além dos danos materiais, a frequência dos relâmpagos acende um alerta severo para a população, especialmente no interior. Especialistas e técnicos reforçam que o comportamento humano diante de uma tempestade é o fator que define a preservação de vidas. A orientação principal é buscar abrigo seguro assim que as primeiras nuvens carregadas se aproximarem.
O maior risco corre ao ar livre. Atividades rotineiras, como o trabalho agrícola e o manejo de animais no campo, são historicamente as principais geradoras de acidentes graves nesses cenários. Da mesma forma, a recomendação é abandonar imediatamente o uso de veículos expostos, como motos e bicicletas, e evitar estruturas frágeis como varandas ou coberturas de lona. Caso o temporal surpreenda alguém em trânsito, a melhor alternativa é permanecer confinado dentro de um automóvel fechado, usando a própria estrutura metálica do carro como isolante natural contra as descargas.





