A busca por uma vaga na residência médica ganhou contornos de caso de polícia. A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a segunda fase da Operação R2, que sufoca um esquema de fraudes no Exame Nacional da Avaliação da Formação Médica (ENAMED). A engrenagem criminosa, que cobrava até R$ 140 mil pelo sucesso de candidatos nas provas, virou alvo de seis mandados de busca e apreensão cumpridos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Maranhão.
O foco da ofensiva está dividido em duas frentes. De um lado, os investigadores miram três médicos suspeitos de contratar “laranjas”, pessoas que utilizavam documentos de identidade falsificados para sentar nas salas de aula e fazer o exame no lugar dos verdadeiros inscritos. Do outro, a mira se volta para mais três profissionais da saúde, apontados como recrutadores da rede, responsáveis por prospectar clientes dispostos a burlar o sistema. Todos os investigados nesta etapa respondem em liberdade, e celulares foram apreendidos para mapear a extensão da rede.
A ação é um desdobramento direto da Operação R1, que em outubro do ano passado prendeu oito pessoas em flagrante em Juiz de Fora (MG) no momento em que a avaliação era aplicada. De lá para cá, o rastreamento policial revelou que o grupo não se limitava à falsificação ideológica. Havia também um esquema de transmissão de gabaritos em tempo real, onde candidatos recebiam as respostas corretas por meio de dispositivos tecnológicos camuflados, como minicelulares e relógios inteligentes.
Em nota oficial, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia responsável pela aplicação do exame, informou que acompanha de perto os desdobramentos e colabora com as autoridades competentes.
O ENAMED funciona como um termômetro da qualidade do ensino médico no país, avaliando formandos com base nas diretrizes nacionais e servindo de passaporte classificatório para o Exame Nacional de Residência (Enare). Diante dos fatos, a Polícia Federal mantém os inquéritos abertos para identificar outros profissionais que possam ter comprado as vagas ou facilitado o esquema que ameaça a integridade da seleção dos futuros especialistas do país.





