A infraestrutura de conectividade na Bahia virou alvo de uma espécie de milícia digital que operava no mundo físico. Uma operação da Polícia Civil, batizada de Reconectando, prendeu dois homens nesta semana sob a acusação de liderar um esquema de extorsão e lavagem de dinheiro contra provedores de internet. O grupo sabotava fisicamente as redes de transmissão de dados para forçar empresários a pagar pelo direito de funcionar.
As prisões ocorreram em Simões Filho e Feira de Santana. De acordo com as investigações, que começaram no final do ano passado, a organização criminosa faturava cerca de R$ 100 mil mensais com a cobrança de taxas arbitrárias. Quem se recusava a ceder à chantagem sofria com o corte deliberado de cabos de fibra óptica e com o impedimento, muitas vezes sob ameaça, do trabalho das equipes de manutenção. Em um cenário de dependência digital absoluta, o prejuízo para o comércio local e para os moradores era imediato.
O modelo de negócios do crime misturava métodos tradicionais de coação com ferramentas corporativas. As ordens para os ataques e as cobranças eram transmitidas pela liderança por meio de videoconferências fechadas. Em Feira de Santana, um homem de 33 anos, com histórico no tráfico de drogas, foi detido sob a acusação de gerenciar a operação local e usar um comércio de fachada para integrar o dinheiro sujo ao sistema financeiro legal. Já o suspeito de 26 anos detido em Simões Filho atuava como o recolhedor dos valores em campo.
A estrutura contava ainda com um terceiro homem, apontado como o mentor intelectual das extorsões. Ele geria as ações à distância e segue foragido. O volume das exigências financeiras sufocava as empresas; uma das vítimas chegou a desembolsar R$ 18 mil em um único mês para evitar o colapso de suas linhas de transmissão.
A investida policial foi coordenada pela delegacia de Simões Filho com o suporte de setores de inteligência e do laboratório de tecnologia contra lavagem de dinheiro da instituição. Com o avanço do caso, o foco agora se volta para o rastreamento bancário e de dados dos envolvidos, após pedidos de quebra de sigilo autorizados pela Justiça, na tentativa de sufocar o braço financeiro da organização e identificar outros ramificações do esquema no estado.





