O cinema de fim de semana costuma funcionar como um espelho das nossas próprias vontades de escape: ou mergulhamos no absoluto absurdo da convivência humana ou buscamos o conforto do porto seguro. Para quem prefere o primeiro caminho, a principal novidade da semana é “O Convite”. Conduzido por um elenco que equilibra o cinismo e a dramaticidade, com nomes como Olivia Wilde, Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, o longa transforma um bucólico jantar entre vizinhos em um campo minado psicológico. O que era para ser uma noite de aparências e futilidades burguesas logo descamba para o acerto de contas de um casal cuja relação já apresentava rachaduras estruturais. É o tipo de suspense incômodo que faz o espectador agradecer por estar do lado de fora da tela.
Na outra ponta da experiência cinematográfica, a indústria aposta na nostalgia imediata e na transição de formatos com a chegada do live-action de “Moana”. A Disney segue sua tradicional cartilha de dar carne, osso e efeitos visuais hiper-realistas às suas animações de sucesso, entregando uma aventura que tenta capturar o deslumbramento marítimo do original. É a escolha natural para os fins de tarde em família, unindo o apelo infantojuvenil à grandiosidade técnica que o cinema de entretenimento exige.
Por fim, o circuito abre espaço para a memória e o ritmo brasileiro com um documentário dedicado a Toquinho. Longe dos holofotes da ficção, a produção mergulha nos bastidores da criação artística de um dos instrumentistas mais celebrados do país. O filme Toquinho, Encontros e um Violão, funciona quase como uma conversa de camarim, despindo o mito da Música Popular Brasileira para mostrar o homem por trás do violão, suas parcerias históricas e o processo muitas vezes solitário de transformar sentimentos cotidianos em melodias eternas. É o contraponto calmo e necessário para um fim de semana de escolhas tão distintas.





