Vídeo: Da cola do álbum ao banco do real madrid. Paraibana de 10 anos vira pesadelo tático de ancelotti

​Enquanto a CBF gasta milhões com comissões técnicas infladas, Maria Gabriela usa a prancheta digital direto de Campina Grande para ensinar o óbvio ao comandante italiano; conheça a pivô que cansou de ser figurante

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​Enquanto a maioria dos adultos gasta o salário em terapia para tentar entender o mundo, uma paraibana de apenas 10 anos resolveu que era mais produtivo organizar a bagunça da Seleção Brasileira. Maria Gabriela Lira, a Gabi, trocou a passividade de quem apenas assiste aos jogos pela acidez de quem dita o ritmo deles. Direto de Campina Grande, a garota ligou a câmera para dar um xeque-clássico na prepotência do futebol moderno, transformando o ato de cornetar o técnico Carlo Ancelotti em um serviço de utilidade pública nas plataformas digitais.

 

A audácia, que faria muito comentarista de terno e gravata gaguejar ao vivo, começou sem nenhuma cerimônia. Sentada na sala de casa, dividindo o foco entre a cola que fixava cromos no álbum da Copa e o desempenho do treinador italiano, que ela já monitorava desde a época de Madrid, Gabi disparou para o pai, Gilson Lira, que o comandante do esquadrão canarinho andava precisando de uns conselhos profissionais. O que parecia piada de criança virou o “Ancelotti, Anota Aí!”, uma espécie de relatório de desempenho informal onde o romantismo dá lugar à lógica nua e crua da bola.

Com a ironia fina de quem percebe o óbvio antes dos especialistas, a menina usou suas postagens para cobrar, por exemplo, o paradeiro de Endrick no gramado. Lembrou, com a exatidão de um arquivo histórico ambulante, que o jovem atacante costuma resolver o drama nacional justamente quando sai do banco nos momentos de sufoco. Enquanto a crônica esportiva se perde em jargões corporativos e termos importados, Gabi usa a clareza de quem enxerga o campo sem o filtro do medo ou dos contratos de patrocínio.

 

Essa facilidade para ler as entrelinhas do jogo não surgiu por decreto do algoritmo, mas no asfalto e nos quintais improvisados durante o isolamento da pandemia, dividindo a posse de bola com o pai e o irmão. A transição da sala de estar para as quadras de futsal foi o passo seguinte. Hoje, jogando na linha de frente como pivô, Gabi lida com o fato de ser, quase sempre, a única assinatura feminina na súmula das partidas. Entre um troféu e outro, ela deixa claro que o único lugar onde aceita ficar calada é na foto do pódio.

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