Transnordestina atrai gigantes de alimentos e reposiciona o Ceará na logística de cargas

​Executivos da JBS Seara avaliam infraestrutura do Terminal de Iguatu e do Porto do Pecém para futuras operações de escoamento

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​O avanço das obras da Ferrovia Transnordestina começou a alterar o fluxo de interesse dos grandes players do agronegócio nacional em direção ao Nordeste. Em uma visita técnica de dois dias, executivos do setor de investimentos da JBS Seara cruzaram o país para vistoriar de perto o Terminal Logístico de Iguatu (TLI) e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). A comitiva, composta por profissionais de São Paulo e Santa Catarina, mapeou o potencial da infraestrutura local para o transporte de cargas de alta escala.
​O convite para a comitiva conhecer o Ceará já cruzava as mesas de negociação há algum tempo. A concretização da agenda sinaliza que o mercado privado acompanha o cronograma dos trilhos. Os representantes da JBS Seara, divisão voltada majoritariamente ao processamento de aves e suínos, analisaram a capacidade de recepção do terminal no interior e as condições de escoamento até o porto. Para a administração do TLI, a presença de técnicos do alto escalão do grupo paulista e catarinense demonstra que a viabilidade comercial da região superou a fase das projeções teóricas.

 

A estrutura que motivou o deslocamento dos investidores está perto de operar. O terminal de Iguatu alcançou 85% de execução nas obras civis, com previsão de inauguração programada para o bimestre entre agosto e setembro. Antes mesmo da abertura oficial, o pátio projeta receber uma nova carga de grãos já no início de julho.

O planejamento para a área, contudo, vai além das commodities agrícolas. A etapa subsequente prevê a construção de um terminal de contêineres de 50 mil metros quadrados, atrativo desenhado para atender às exigências de transporte da própria ferrovia. Esse espaço complementar já desperta a atenção de companhias integradas ao comércio com o mercado chinês e do grupo pernambucano Masterboi, que constrói um frigorífico na região.

A movimentação da JBS Seara coincide com um período de investimentos privados na cadeia de proteína animal do Centro-Sul cearense. Recentemente, a Masterboi anunciou um aporte de R$ 250 milhões para erguer uma planta industrial em Iguatu, interrompendo um período de vinte anos sem novos frigoríficos de grande porte no estado. O projeto prevê o abate diário de mil animais e a abertura de até 750 vagas de trabalho diretas, impulsionado pela combinação de segurança hídrica, pecuária consolidada e acesso ao terminal intermodal.

 

Na outra ponta da linha férrea, a comitiva encerrou a vistoria no Porto do Pecém. Recebidos pela presidência do complexo, os executivos assistiram a apresentações sobre os planos de expansão do porto, que hoje divide suas atenções entre a movimentação de cargas tradicionais e o desenvolvimento do hub de hidrogênio verde. A integração entre o interior produtor e o porto exportador desenha o argumento final que o Ceará apresenta para tentar fixar as marcas da maior processadora de frangos do mundo em seu território.

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