O vidro e o concreto de Oscar Niemeyer ganham uma camada de subjetividade que muda de acordo com o humor do céu da capital paraibana. A partir deste fim de semana, as janelas da Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes deixam de ser apenas molduras para a paisagem do Altiplano e passam a funcionar como projetores analógicos de memórias digitais. É a estreia de “A Casa”, mostra da artista multimídia franco-brasileira Uma Dandara que subverte a lógica tradicional da contemplação artística.

Sob a curadoria do francês Serge Huot, a exposição utiliza películas adesivas transparentes fixadas diretamente nos vidros do centro cultural. Nelas, estão impressas imagens geradas a partir de ferramentas de inteligência artificial que flertam com o conceito de lar e identidade. O grande diferencial da proposta está no uso do sol como motor da experiência: à medida que as horas avançam e a luminosidade externa oscila, as formas e cores das películas se deslocam pelo espaço físico, atingindo o piso, as paredes e o público.
Essa interferência climática contínua retira a obra de qualquer estado de repouso. O visitante que caminha pelo pavilhão não se limita a observar os painéis; ele é interceptado pelos feixes luminosos, transformando a própria pele e as vestes em suporte para as projeções da artista. Há uma inversão de papéis onde o corpo humano passa a completar o cenário planejado, integrando-se à arquitetura interna da Estação e habitando, de forma simbólica, as memórias afetivas ali sugeridas.
Gerida pela Prefeitura de João Pessoa através da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), a Estação Cabo Branco abre as portas para a instalação com entrada franca. A visitação ocorre de terça a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h. Para grupos organizados, movimentos artísticos e instituições de ensino públicas ou privadas, a administração do local exige a realização de um agendamento prévio.





