Os trilhos da Ferrovia Transnordestina avançaram em velocidade inédita no sertão cearense. Em um único dia de trabalho operacional, as frentes de engenharia posicionadas no município de Quixeramobim conseguiram assentar 1,69 quilômetro de malha ferroviária, estendendo 3,36 quilômetros de barras de aço pelo Lote 5. O desempenho representa a maior taxa de montagem diária registrada pelo consórcio construtor desde o início das intervenções no projeto.

O avanço na região central do Ceará serve de antessala para uma entrega física volumosa agendada para o encerramento deste mês. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) projeta a inauguração de um trecho contínuo de 100 quilômetros finalizados, interligando os lotes 4 e 5, além da incorporação imediata de 100 novos vagões do tipo graneleiro à frota de testes. Com este incremento, a fase inicial do corredor logístico atinge a marca de 81% de execução física.
Para sustentar o ritmo operacional nos canteiros da construtora Marquise Infraestrutura, que recebeu dezenas de milhares de toneladas de trilhos importados para fechar essa etapa, o Governo Federal liberou um aporte adicional de R$ 152,4 milhões no primeiro trimestre. O montante provém do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), mecanismo de fomento gerido pela Sudene que já injetou mais de R$ 6,6 bilhões no empreendimento. Ao todo, a ferrovia absorveu R$ 9,8 bilhões de um orçamento global estimado em R$ 15 bilhões.
Quando estiver inteiramente operacional, a malha de 1.206 quilômetros conectará os cerrados de Eliseu Martins, no Piauí, ao complexo portuário do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. O traçado, que cruza o território de 53 municípios, foi desenhado para absorver e baratear o transporte de grandes volumes de grãos, minérios, fertilizantes e cimento, alterando as condições de escoamento da produção regional. A meta do plano plurianual é concluir a infraestrutura básica e iniciar a circulação comercial regular a partir de 2027.





