Mais de um ano após a série de eventos que resultou na morte de uma gestante e seu filho no Instituto de Saúde Elpídio Almeida (ISEA), em Campina Grande, a Polícia Civil finalizou o inquérito que apura a conduta da equipe médica responsável pelo atendimento em março de 2025. Seis profissionais, sendo quatro obstetras e duas enfermeiras, foram indiciados sob suspeita de responsabilidade direta no desfecho trágico.

A investigação, baseada em perícias técnicas e prontuários, sustenta que o óbito fetal foi provocado por uma ruptura uterina diretamente ligada à forma como o parto foi conduzido. Segundo os laudos periciais, a demora na adoção de medidas cirúrgicas que seriam necessárias naquele momento impediu a sobrevivência da criança. O documento da polícia destaca que a assistência prestada à paciente, que possuía uma gestação classificada como de alto risco, foi marcada por falhas graves, incluindo a ausência de progressão assistida e o uso inadequado de substâncias medicamentosas.
O caso ganhou notoriedade quando o pai do bebê, Jorge Elô, utilizou plataformas digitais para denunciar o que descreveu como uma sequência de erros. O relato aponta que a indução do parto, iniciada no final de fevereiro de 2025, foi intensificada de maneira imprudente, mesmo diante da interrupção da evolução natural do trabalho de parto. O inquérito policial corrobora parte dessas denúncias ao identificar, além das falhas técnicas, relatos de tratamento verbal e psicológico inadequado direcionado à paciente durante sua permanência na maternidade.
Maria Danielle Cristina Morais, assistente social que buscava o parto, teve o útero removido durante o procedimento de emergência e veio a falecer 25 dias depois. Embora a perícia tenha relacionado o óbito materno a uma condição genética preexistente agravada pelo trauma do parto, a Polícia Civil entendeu que o manejo inadequado da equipe foi um fator determinante para a evolução do quadro clínico. A corporação ressaltou, contudo, que os profissionais que realizaram a cirurgia de urgência após o colapso da paciente não incorreram em crimes.
O material coletado pelos investigadores foi remetido ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, com pedido de processamento via Tribunal do Júri. Paralelamente às esferas cível e criminal, a prefeitura municipal conduziu uma sindicância administrativa que resultou no afastamento de membros da equipe, com registros de rescisões contratuais e desligamentos confirmados ao longo do ano de 2025. Em posicionamento oficial, a autoridade policial enfatizou que a responsabilidade imputada é individualizada, buscando preservar a imagem da instituição de saúde diante do histórico de atendimento público na região.





