A Prefeitura de Pitimbu protagoniza um movimento administrativo que desafia a lógica de austeridade recomendada pelos órgãos de controle. O município, localizado no Litoral Sul paraibano, homologou a adesão a uma ata de registro de preços que destina R$ 9.501.750,00 à Cooperativa de Trabalho de Serviços Administrativos e de Manutenção (Coopersam).

O aporte, destinado à contratação de apoio administrativo e operacional, chega em um momento de questionamentos sobre a real necessidade de transferir atividades para a iniciativa privada quando a folha de pagamento local já absorve mais de R$ 14 milhões.
O descompasso entre o tamanho da população e a estrutura da administração é o ponto central da controvérsia. De acordo com o último Censo do IBGE, a cidade abriga pouco mais de 16,7 mil pessoas. Em contraste, dados extraídos do sistema Sagres Cidadão, do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), revelam a existência de uma força de trabalho composta por 437 servidores efetivos, 719 contratados por excepcional interesse público e 189 ocupantes de cargos comissionados. Esse universo, que supera a marca de 1.300 pessoas vinculadas à prefeitura, levanta o debate sobre a eficiência do gasto público, visto que o objeto do novo contrato coincide com atribuições frequentemente desempenhadas por esse contingente já existente.

A legislação e as orientações dos tribunais de contas exigem que qualquer terceirização seja acompanhada de uma justificativa técnica robusta, capaz de provar a economicidade e a viabilidade da medida. No caso de Pitimbu, a sobreposição de funções surge como o principal sinal de alerta. O cenário coloca a gestão sob o escrutínio do TCE-PB, que monitora de perto se a decisão administrativa configura um desvio de finalidade ou uma expansão desnecessária da máquina. A prefeitura, por ora, não detalhou o plano de trabalho da cooperativa, mantendo em aberto o esclarecimento sobre em quais pastas os terceirizados serão alocados e por que o quadro atual se mostrou insuficiente para as demandas operacionais da cidade. Enquanto a explicação oficial não chega, a cifra de quase dez milhões de reais permanece como um ponto de interrogação sobre a prioridade do investimento público local.





