O destino de valores obtidos com a venda de glebas da antiga sede do Aeroclube da Paraíba, em João Pessoa, tornou-se alvo de uma investigação preliminar movida por órgãos de controle. Uma denúncia formal sugere que a entidade teria operado uma triangulação financeira para blindar o patrimônio de um dos seus diretores contra cobranças da Justiça Federal e da Justiça do Trabalho.
No centro da suspeita está Bruno Vilarim Pimentel Nobre Alencar, diretor da instituição e filho do atual presidente, Francisco Venâncio Nobre Alencar. De acordo com o relato encaminhado aos fiscalizadores, Bruno foi condenado por crime contra a ordem tributária, decisão que resultou na imposição de uma multa de valor expressivo. Além do passivo fiscal, o nome do diretor aparece no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas, reforçando o cenário de restrições financeiras.
Os documentos anexados à denúncia indicam que, ao ratear entre os associados os dividendos da alienação de terrenos, o Aeroclube ignorou a conta pessoal do diretor. Em vez disso, teria direcionado os pagamentos a Julianne da Costa Lacerda, esposa de Bruno Vilarim. Os registros de movimentação bancária detalham transferências efetuadas entre 2022 e 2026. Entre as provas apresentadas, consta um Pix de R$ 25 mil, realizado pela entidade em dezembro de 2025, diretamente para a conta da cônjuge.
A tese dos denunciantes sustenta que o artifício teria o propósito deliberado de evitar que os valores transitassem por contas bancárias vinculadas ao diretor, impedindo o alcance de eventuais ordens de penhora ou arresto judicial. O mecanismo, caso validado pelos investigadores, pode configurar fraude à execução e ocultação de bens, gerando implicações legais para todos os envolvidos no processo de repasse.





