A agenda de São João na Bahia sofreu uma baixa significativa. O cantor Flávio José confirmou o cancelamento de uma série de 16 apresentações que realizaria no estado após ser notificado de que o Ministério Público local determinou uma redução no valor de seu cachê. O artista, que é um dos principais nomes do forró autêntico, classificou a medida como uma falta de reconhecimento à sua trajetória e à importância do gênero musical para as festividades juninas.
O descontentamento do músico é alimentado pela disparidade financeira observada nos contratos das celebrações baianas. Enquanto o órgão de controle atua para limitar o valor pago a artistas regionais, o erário destina montantes expressivos a atrações de outros gêneros. Dados sobre as contratações revelam que a dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano, por exemplo, receberá cerca de R$ 905 mil por apresentação na Bahia, um valor substancialmente superior ao cachê de R$ 350 mil cobrado por Flávio José.
Ao comentar o episódio, o forrozeiro destacou que, por priorizar o compromisso com as prefeituras baianas, acabou perdendo oportunidades de agenda em outros estados onde sua presença é requisitada e valorizada. A desistência impacta diretamente a programação de municípios como Senhor do Bonfim, cidades que figuram entre os principais destinos turísticos do período.
A polêmica reacende um debate antigo sobre os critérios de curadoria artística e a alocação de recursos públicos durante o São João. A situação coloca em xeque a política de valorização da cultura nordestina, questionando o motivo pelo qual artistas de ritmos alheios à tradição junina acabam recebendo orçamentos vultosos, enquanto os pilares do forró enfrentam restrições orçamentárias impostas pelos órgãos fiscalizadores. Até o momento, as instâncias estaduais envolvidas na organização da festa ainda não se manifestaram oficialmente sobre os critérios aplicados aos cortes seletivos de cachês.





