Washington sinaliza mudança na relação com Brasília sob a gestão Rubio

​Declarações do secretário de Estado dos EUA sobre o Brasil e proposta de sobretaxa comercial elevam a tensão diplomática entre as duas maiores economias do continente

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US President Donald Trump looks on as US Secretary of State Marco Rubio speaks about the US Navy’s new Golden Fleet initiative, unveiling a new class of warships, at Mar-a-Lago in Palm Beach, Florida, on December 22, 2025. President Donald Trump on December 22 announced a new class of heavily armed warships that will be named after himself -- an honor usually reserved for US leaders who have left office. Two of the Trump-class ships will be built initially but that number could grow substantially in the future, according to the president, who said they will be "some of the most lethal surface warfare ships" and "the largest battleship in the history of our country." Trump made the announcement at his Mar-a-Lago residence in Florida alongside Pentagon chief Pete Hegseth, Secretary of State Marco Rubio and Navy Secretary John Phelan, with images of the planned high-tech vessels on stands nearby. (Photo by ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP)

​O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, posicionou o Brasil fora do grupo de parceiros estratégicos norte-americanos na América Latina. Durante audiência no Senado estadunidense, o chefe da diplomacia de Washington sinalizou uma guinada na abordagem regional ao classificar o governo brasileiro como um dos pontos de fricção na atual configuração do hemisfério, ao lado de Nicarágua, Cuba, Venezuela e Colômbia. O cenário é agravado pela proposta do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) de implementar uma sobretaxa de 25% sobre mercadorias brasileiras, medida que promete pressionar setores exportadores e o agronegócio nacional.

A leitura de Rubio, que aponta um processo de negligência histórica dos Estados Unidos na região diante do avanço chinês, coloca Brasília em um estado de alerta comercial e político. A classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas compõe um conjunto de ações que, somadas à postura pública do secretário, indicam um endurecimento da Casa Branca em relação às escolhas soberanas do Palácio do Planalto. O secretário justificou o distanciamento citando o momento político interno do Brasil, mas a medida tarifária sugere que a relação bilateral entra em uma fase de cobrança mais incisiva, afastando-se da retórica de parceria automática das últimas décadas.

Em reação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou um evento em Catalão, Goiás, para confrontar abertamente o representante estadunidense. Lula caracterizou a postura de Rubio como contrária aos interesses regionais, acusando-o de manter um histórico de hostilidade contra nações latino-americanas. O presidente também relatou ter levado a Donald Trump a percepção de que o republicano não cultiva proximidade ou apreço pelo Brasil. Ao abordar os bastidores da tensão atual, o mandatário brasileiro apontou influência de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando-os de solicitar interferência estrangeira em questões domésticas.

O embate coloca em rota de colisão os interesses comerciais imediatos com os desdobramentos de uma política externa que volta a ser palco de polarização ideológica. Enquanto Washington busca retomar protagonismo frente à expansão asiática na região, o governo brasileiro sinaliza que não aceitará passivamente pressões que afetem a economia nacional. A disputa, que transita da arena diplomática para as tarifas aduaneiras, desenha um período de provável instabilidade nas tratativas entre as capitais, exigindo manobras de ambos os lados para evitar que o desgaste político comprometa fluxos fundamentais de comércio.

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