A oficialização, nesta terça-feira (2), do reconhecimento chinês de que o Brasil está livre de febre aftosa sem vacinação marca o desfecho de um ciclo diplomático de 20 anos. Ao eliminar as restrições sanitárias que ainda incidiam sobre diversas regiões do território nacional, Pequim valida o protocolo de defesa agropecuária brasileiro e sinaliza a consolidação definitiva do país como o principal fornecedor de proteína animal para o mercado asiático.
O impacto econômico é imediato. Em 2025, a China absorveu 1,5 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 9 bilhões. Com o fim dos entraves, a expectativa das entidades do setor é de um incremento de US$ 150 milhões já nos primeiros doze meses apenas entre as empresas que já possuem habilitação para operar no país asiático. O alcance da medida, contudo, transcende os volumes atuais, devendo viabilizar a comercialização de itens de maior valor agregado, como miúdos e cortes com osso, além de fortalecer a posição brasileira em futuras rodadas de negociação.
A chancela chinesa funciona como um selo de qualidade global. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes destacou que o reconhecimento premia o rigor dos sistemas de vigilância e monitoramento implantados pelo Brasil ao longo das últimas décadas. Mais do que a manutenção do fluxo comercial com a China, o setor projeta um efeito cascata positivo. Líderes da indústria observam que o aval de Pequim serve como referência técnica e política para que nações como Japão e Coreia do Sul, que mantinham pendências similares, revisem seus protocolos e abram suas fronteiras para a carne brasileira, diversificando ainda mais a carteira de clientes asiáticos e reduzindo a dependência de mercados concentrados.





