A estrutura de elite da Polícia Civil da Paraíba foi abalada nesta terça-feira (2) com a prisão do delegado Braz Morroni, figura central no Grupo de Operações Especiais (GOE). O servidor é o principal alvo da Operação Perfidus, iniciativa que desmantelou uma associação criminosa infiltrada na própria instituição. As investigações, conduzidas em parceria com o Ministério Público, revelaram um cenário de desvio de conduta que permitia a circulação de entorpecentes apreendidos sob custódia estatal.
O inquérito detalha um mecanismo de corrupção onde a logística da segurança pública era convertida em ferramenta para o crime organizado. Segundo os promotores, entorpecentes recolhidos em ações policiais eram retirados clandestinamente das unidades antes da destinação legal. A investigação detalha que o grupo criminoso mantinha um canal de comunicação direta com agentes públicos, garantindo que informações sigilosas sobre incursões policiais chegassem antecipadamente aos alvos, inviabilizando prisões e permitindo a continuidade das rotas do tráfico.
A Justiça estadual autorizou o sequestro de aproximadamente R$ 10 milhões das contas e patrimônio dos investigados, uma medida que busca estancar a liquidez financeira obtida através da cooperação ilícita. O termo latino que batiza a operação sublinha o choque causado pela revelação de que prerrogativas e armas da polícia eram utilizadas para proteger justamente aqueles que deveriam ser neutralizados. O caso marca um ponto de inflexão nos processos de controle interno da segurança pública paraibana.





