O Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma ação civil pública contra a União e o estado da Paraíba com o objetivo de responsabilizar o Estado por graves violações de direitos humanos ocorridas durante o regime militar. O processo documenta a perseguição sistemática imposta às Ligas Camponesas e aos trabalhadores rurais da região.
A denúncia detalha um modus operandi de violência que contava com a colaboração entre agentes estatais e estruturas privadas vinculadas ao latifúndio, materializadas na atuação de grupos paramilitares. Entre os episódios mais bárbaros citados pelo órgão ministerial está o destino de duas lideranças do movimento, Nego Faba e Pedro Fazendeiro, que teriam sido submetidos a tortura, assassinados e, posteriormente, incinerados.
O MPF aponta que a repressão não se limitava ao campo político institucional, mas configurava um aparato estruturado de vigilância, prisões ilegais, cassação de mandatos e ameaças constantes aos trabalhadores. A ação descreve o chamado “enchocalhamento”, um método de desumanização forçada onde as vítimas eram obrigadas a portar guizos no pescoço e correr enquanto sofriam agressões físicas. O propósito dessa prática ia além da punição imediata, buscando reduzir o ser humano à condição de animal e utilizar a humilhação pública como mecanismo de controle e terror social.





