O conceito de multiverso chegou a um ponto em que, se você piscar, pode acabar encontrando três versões do mesmo herói dividindo o café da manhã. Mas, desta vez, a Sony decidiu tirar o pó de um dos cantos mais melancólicos da Marvel para injetar um pouco de cinismo na fórmula: Spider-Noir. A série, que terá o selo do Prime Video e da MGM+, aposta todas as suas fichas na estética clássica de detetive dos anos 30, onde o crime é organizado, o trench coat é obrigatório e a crise existencial é parte do pacote.
O grande chamariz, naturalmente, é Nicolas Cage. Conhecido por não medir esforços, ou decibéis, em suas atuações, o ator assume o papel de um Aranha veterano que, longe de ser o adolescente entusiasmado dos filmes de animação, parece mais interessado em resolver seus traumas do que em salvar o dia com piadinhas. A escalação de Cage é o tipo de escolha que beira o genial ou o catastrófico, o que, convenhamos, é a definição perfeita de entretenimento moderno. Ele lidera um elenco que conta com nomes como Brendan Gleeson e Lamorne Morris, sugerindo que o orçamento não foi gasto apenas em CGI de teias pretas.
O projeto, comandado por Oren Uziel e Steve Lightfoot, tenta descolar a marca da fadiga dos uniformes coloridos ao abraçar o lado noir, um gênero que combina perfeitamente com um personagem cuja principal habilidade é apanhar em cenários com pouca iluminação. A produção faz parte da insistente tentativa da Sony de consolidar seu próprio universo compartilhado, garantindo que, mesmo que o público esteja dando sinais de cansaço, sempre haverá um novo “Aranha” pronto para monitorar as ruas de uma versão alternativa da Big Apple. Resta saber se o tom sombrio será suficiente para sustentar a narrativa ou se a série acabará apenas como um exercício estilístico de quem passou tempo demais assistindo a clássicos em preto e branco antes de assinar contrato com um estúdio de super-heróis.





