A rotina da 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina, foi interrompida por uma confissão que desafia a normalidade institucional. Na última segunda-feira (9), Wellington de Rezende Silva, de 43 anos, cruzou a soleira da unidade não para registrar uma ocorrência, mas para encerrar uma tragédia pessoal e criminal. O homem informou aos agentes de plantão que havia assassinado sua ex-companheira e que o corpo da vítima permanecia no interior de um carro estacionado no pátio da própria delegacia.
A vítima, uma manicure de 41 anos, teve sua vida interrompida por golpes de faca, instrumento que já se encontra sob custódia da perícia técnica. O cenário encontrado pelos policiais e brigadistas confirmou o relato: o veículo, parado a poucos metros da autoridade policial, serviu de receptáculo para o desfecho de um relacionamento que perdurou por duas décadas. O casal estava separado há apenas trinta dias, período comum em que o inconformismo de uma das partes costuma escalar para a violência de gênero.
A resposta operacional envolveu o Samu e o Corpo de Bombeiros, que atestaram o óbito no local. Paralelamente, a Polícia Científica realizou os exames preliminares no corpo, identificando as lesões que corroboram a dinâmica do ataque. A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal agora se concentra em reconstruir os últimos passos do agressor e da vítima, buscando entender a cronologia do crime que transforma mais uma estatística de feminicídio em um alerta sobre a fragilidade da segurança feminina, mesmo nas proximidades das instituições de segurança.
A frieza da entrega espontânea do autor, somada à escolha do local para o abandono do corpo, impõe uma análise detalhada sobre o perfil psicológico do agressor e as circunstâncias que o levaram a utilizar a delegacia como destino final de sua ação. Planaltina, situada a 38 km do centro da capital, torna-se novamente o palco de um luto que evidencia as cicatrizes deixadas pela violência doméstica no Distrito Federal.





