O patrimônio histórico baiano, muitas vezes fustigado pelo tempo e pela maresia, ganha um novo fôlego com a abertura de uma série de licitações estratégicas. O Governo do Estado, sob o guarda-chuva do Novo PAC e em sintonia com o Iphan, oficializou um pacote de investimentos que ultrapassa R$ 1,8 milhão apenas para a fase de projetos técnicos. A iniciativa não foca apenas na manutenção estética, mas na requalificação funcional de estruturas que definem a identidade do Brasil, desde a primeira escola médica do país até terreiros de candomblé centenários.

A engenharia por trás dessa preservação exige minúcia. O destaque financeiro recai sobre a Faculdade de Medicina da Bahia, no Terreiro de Jesus, que terá R$ 1 milhão dedicados exclusivamente aos estudos de restauro. Enquanto isso, o Convento de Santa Clara do Desterro, pioneiro na clausura feminina em solo brasileiro, terá seu telhado, estrutura crítica para a sobrevivência de qualquer imóvel secular, priorizado em uma licitação marcada para o final de abril. Essas ações refletem uma visão de que o patrimônio não é um museu estático, mas um organismo vivo que precisa de segurança e acessibilidade para continuar servindo à sociedade.

A diversidade cultural baiana também se faz presente na inclusão do Terreiro do Alaketu (Ilê Maroiá Láji). O projeto de R$ 350 mil vai além das paredes, prevendo a criação de um memorial que imortaliza a linhagem da família fundadora, unindo fé e história em um espaço de resistência. No Recôncavo, a Casa do Samba de Santo Amaro projeta sua recuperação no Solar do Conde de Subaé, reafirmando que a descentralização dos recursos é vital para manter pulsante o Samba de Roda, patrimônio imaterial que agora busca solidez em sua base física.

Para além dos projetos no papel, o Pelourinho verá movimentação imediata. Já neste mês de março, o Largo Pedro Arcanjo entra em canteiro de obras para uma reforma estrutural de R$ 1,7 milhão, focada em drenagem e urbanização. Segundo o diretor-geral do Ipac, Marcelo Lemos Filho, o movimento consolida uma cooperação institucional necessária para que a memória do povo baiano não se perca em ruínas. Com prazos de execução estimados em seis meses após as ordens de serviço, a Bahia tenta correr contra o relógio do desgaste para garantir que seu passado continue sendo um ativo de seu futuro turístico e social.





