A linha esticada entre as estruturas da Ponte Presidente Dutra não era apenas um cabo de nylon, mas um convite ao impossível. Na tarde deste domingo (8), o horizonte que divide Petrolina e Juazeiro ganhou um novo elemento: o corpo de Matheus Vidal, conhecido mundialmente como “Mago do Equilíbrio”. A travessia de waterline, modalidade do slackline praticada sobre as águas, transformou o fluxo caudaloso do Rio São Francisco em um cenário de tensão e plasticidade.
O evento não foi apenas um teste de habilidade física, mas o ápice simbólico do encerramento do Festival de Verão Velho Chico. Enquanto o sol baixava sobre o Semiárido, centenas de olhares se voltaram para o alto, acompanhando cada passo milimétrico do campeão mundial. A altura considerável da ponte e a correnteza do “Velho Chico” abaixo criaram um contraste entre a estabilidade da engenharia civil e a fragilidade do equilíbrio humano.
Diferente das apresentações convencionais, o percurso exigiu uma leitura técnica das condições climáticas da região, onde as rajadas de vento costumam ser um adversário silencioso. Para o público que transitava entre as duas cidades, a cena rompeu a rotina urbana, substituindo o tráfego habitual de veículos por uma coreografia de concentração absoluta.
A performance de Matheus consolida a região como um polo capaz de acolher esportes de aventura de alto rendimento, integrando a paisagem natural a espetáculos de nível internacional. Ao final do trajeto, o que restou não foi apenas o registro de uma marca esportiva, mas a imagem de um rio que, por alguns instantes, serviu de espelho para quem decidiu caminhar sobre o vazio.





