Trump sinaliza colapso iminente e articula nova ordem regional para Cuba

​Em cúpula na Flórida, presidente americano projeta o fim do regime cubano, revela negociações diretas com a ilha e propõe coalizão militar para reconfigurar a geopolítica latino-americana.

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A atual posição política das Américas sofreu um forte solavanco neste sábado, durante um encontro de líderes convocado por Donald Trump em Doral. Com o tom incisivo que caracteriza sua diplomacia de pressão máxima, o ocupante da Casa Branca diagnosticou o que chamou de “últimos momentos de vida” da administração cubana. O prognóstico não se baseia apenas em retórica ideológica, mas na asfixia logística que paralisa a ilha: a escassez crítica de divisas e o desabastecimento de combustível que empurraram Havana para o abismo econômico.

A narrativa de Trump, contudo, descolou-se do mero isolacionismo ao revelar que os canais diplomáticos, embora tensionados, permanecem ativos sob uma nova dinâmica. Segundo o republicano, o governo cubano já estaria à mesa, negociando os termos de uma transição ou de um novo entendimento diretamente com ele e com o secretário de Estado, Marco Rubio. A escolha de Rubio como interlocutor principal reforça o peso da ala mais dura da política externa americana, sinalizando que qualquer acordo passará obrigatoriamente por concessões estruturais do regime liderado por Miguel Díaz-Canel.

Para além das fronteiras de Cuba, o discurso em Doral esboçou o desenho de uma doutrina de segurança mais agressiva para o continente. Trump não se limitou a prever a queda de Havana; ele convocou aliados para a fundação de uma coalizão militar inédita. O objetivo declarado é a erradicação dos cartéis de drogas, mas a entrelinha sugere uma presença operacional dos Estados Unidos muito mais robusta na América Latina, fundindo o combate ao crime organizado com a contenção de regimes autocráticos.

Se a “grande mudança” prometida pelo presidente americano se concretizará por meio de um colapso interno ou de uma costura diplomática de bastidor, o cenário permanece incerto. O que ficou nítido em solo floridiano, entretanto, é que Washington abandonou a postura de observadora passiva da crise caribenha para assumir o papel de arquiteta de uma nova, e possivelmente turbulenta, era geopolítica na região.

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