Vídeo de prisma no Sertão: o espetáculo que desafiou o olhar em Dormentes (PE)

​Fenômeno raro tinge o céu de Pernambuco e levanta debate técnico sobre a natureza da interação entre a luz solar e cristais de gelo na alta atmosfera

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O céu do Sertão de Pernambuco abandonou sua paleta azul convencional na tarde desta terça-feira (24) para dar lugar a um mosaico cromático que interrompeu a rotina em Dormentes. O registro, capturado por lentes locais, revelou uma mancha espectral fundida às nuvens, fugindo à curvatura tradicional dos arco-íris e assemelhando-se a uma pintura a óleo em movimento. O evento, embora visualmente lúdico, carrega uma complexidade física que mobiliza a análise meteorológica.

Veja o vídeo:

 

Ainda sob escrutínio, a manifestação oscila entre dois diagnósticos distintos da óptica atmosférica: a iridescência e o arco circum-horizontal. No primeiro cenário, a luz sofre um processo de difração ao encontrar obstáculos em nuvens de baixa densidade, como as altocumulus. Já a segunda hipótese, popularmente apelidada de “arco-íris de fogo”, exige uma geometria rigorosa. Para que ocorra, o sol precisa estar posicionado em um ângulo superior a 58 graus, permitindo que os raios atravessem cristais de gelo hexagonais em nuvens cirrus de alta altitude, funcionando como prismas naturais que refratam a luz de forma linear e intensa.

Mais do que um deleite estético, o episódio reforça como as condições climáticas específicas do semiárido podem atuar como laboratórios a céu aberto. Enquanto a população local absorvia o impacto visual, a ciência buscava decifrar as variáveis de umidade e temperatura nas camadas superiores da troposfera que permitiram tal refração. Em um tempo de saturação digital, a natureza em Dormentes provou que ainda retém a capacidade de produzir o inédito, transformando a física da luz em um evento de comoção coletiva.

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