O asfalto da capital baiana, habitualmente palco de celebrações efervescentes, tornou-se o cenário de um desfecho abrupto para uma jovem de 24 anos. Na ressaca das festividades deste 16 de fevereiro, o que deveria ser um deslocamento rotineiro de manutenção transformou-se em tragédia urbana. A vítima, uma pesquisadora dedicada à pós-graduação na Universidade Federal da Bahia (Ufba), teve sua trajetória interrompida sob as rodas de um caminhão de limpeza que operava no coração da folia soteropolitana.
Relatos colhidos junto ao Corpo de Bombeiros sugerem que a fatalidade foi precipitada por um comportamento de risco comum em grandes aglomerações, mas de consequências irreversíveis: a tentativa de “pegar carona” na estrutura externa do veículo. Ao tentar subir na lateral do caminhão em movimento, acompanhada por outros foliões, a bióloga perdeu o equilíbrio e foi projetada para sob o chassi, sem que houvesse tempo hábil para qualquer manobra evasiva do condutor.
Embora o Carnaval de Salvador seja uma operação de guerra em termos de engenharia de tráfego e limpeza, a porosidade entre o lazer e o risco operacional revela fissuras no protocolo de segurança dos circuitos. A morte de uma acadêmica no auge de sua produção intelectual não é apenas uma estatística de trânsito; é um lembrete severo de que a infraestrutura que sustenta a alegria nem sempre consegue proteger aqueles que a celebram.
A perícia técnica iniciou os trabalhos para oficializar a dinâmica do ocorrido, a comunidade acadêmica da Ufba e o setor cultural de Salvador digerem o impacto de uma perda que ressoa além das cordas dos blocos. O luto que agora atravessa a Barra e a Ondina é o reflexo de uma festa que, por um instante, esqueceu sua própria fragilidade.





