A pequena Coxixola, no interior da Paraíba, tornou-se o centro de uma polêmica que vai muito além das notas musicais. Para celebrar seus 32 anos de emancipação política, a prefeitura local autorizou um gasto de R$ 2,5 milhões. O montante, que impressiona pelo tamanho proporcional à população da cidade, apenas 1.824 pessoas, destina R$ 1,3 milhão exclusivamente ao cachê do cantor Wesley Safadão, enquanto os R$ 1,07 milhão restantes cobrem a montagem da estrutura necessária.
O cenário ganha contornos de contradição administrativa quando confrontado com a realidade climática da região. Segundo o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), as contratações foram realizadas sem licitação, em um período em que o município se encontra sob decreto de emergência devido à estiagem. O contraste entre o investimento em entretenimento de alto custo e a escassez hídrica levantou críticas imediatas sobre a escala de urgências de uma cidade que possui um Produto Interno Bruto (PIB) modesto e carências em serviços fundamentais.
A defesa da gestão municipal sustenta que o evento funciona como um motor econômico, atraindo visitantes e movimentando o comércio local. A prefeitura assegura que o investimento na festa não compromete as verbas destinadas à saúde, educação e outras áreas básicas. No entanto, o argumento do “aquecimento econômico” enfrenta o ceticismo de órgãos de controle e de parte da opinião pública, que enxergam uma desproporção ética no uso do dinheiro público para shows de grande porte em contextos de vulnerabilidade social.
O Ministério Público acompanha o desdobramento das contratações para verificar a legalidade e a razoabilidade dos gastos. Enquanto o palco é montado, a discussão sobre o papel do poder público na gestão da cultura e do lazer, em face das necessidades estruturais de sobrevivência no semiárido, permanece como o principal tema nas conversas da população e nos gabinetes de fiscalização do estado





