O gargalo logístico que historicamente limita o escoamento da produção do Nordeste começou a ser desfeito em sua última milha. A Transnordestina Logística (TLSA) oficializou o início das obras do ramal ferroviário de 8,3 quilômetros que ligará a ferrovia principal ao futuro Terminal de Uso Privado (TUP) da Nordeste Logística (Nelog), localizado dentro do Complexo do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. O projeto resolve uma contradição antiga da infraestrutura nacional: ter trilhos cortando o país sem um ponto de recepção e descarga eficiente na beira do cais.

O investimento total na ponta final dessa cadeia atinge R$ 3,6 bilhões, divididos entre o novo terminal (R$ 3 bilhões), a esteira de escoamento para granéis e fertilizantes (R$ 500 milhões) e a construção do próprio ramal. Embora a execução do terminal ainda dependa de um processo de concorrência que deve ocorrer nos próximos meses, a expectativa é iniciar as obras de terraplanagem e fundações ainda neste ano, com previsão de operação total para 2028. Na fase inicial de construção, o empreendimento projeta a abertura de pelo menos mil postos de trabalho diretos.
Do ponto de vista da engenharia, o trecho de pouco mais de oito quilômetros que atravessa os municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante exige alta movimentação de carga. Serão deslocados 4,3 milhões de metros cúbicos de terra para preparar o terreno que abrigará um viaduto ferroviário, uma ponte adaptada para a descarga de minérios e uma moega de alta capacidade destinada ao recebimento de grãos. O ritmo acelerado acompanha o desempenho recente do consórcio construtor, que registrou a marca de 1,7 quilômetro de superestrutura montada em apenas um dia.

A integração física coincide com um momento de expansão das rotas marítimas cearenses. Recentemente, o Porto do Pecém reduziu o tempo de tráfego de navios vindos da Ásia de 75 para 35 dias, aumentando o fluxo de contêineres e a demanda por conexões rápidas com o continente. Com a Fase I da ferrovia, que conecta Paes Landim, no Piauí, ao litoral cearense, alcançando 82% de execução e testes operacionais ativos desde o final do ano passado, o fluxo de milho e sorgo começará a ganhar escala industrial.
Mais do que otimizar o transporte de commodities, o avanço da infraestrutura ferroviária funciona como um indutor de descentralização econômica. Ao interligar o porto seco aos polos agrícolas e minerais do interior do Piauí e do Ceará, o projeto atrai cadeias de fornecedores e prestadores de serviços para regiões antes isoladas dos grandes eixos de exportação. O plano prevê que até o final de 2027 a estrutura básica de silos e recepção de insumos esteja pronta para operar, utilizando uma área inicial de 84 hectares que possui potencial de expansão dentro do perímetro planejado do complexo portuário.




