Disputa por terreno de R$ 500 milhões em Boa Viagem expõe racha histórico no setor imobiliário

​Herdeiros do Grupo João Santos acusam Moura Dubeux de interferência em negócio privado e citam quebra de confiança que remonta a supostos esquemas de corrupção no passado

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O metro quadrado mais cobiçado do Recife tornou-se o centro de um embate jurídico e institucional que extrapola os limites do mercado imobiliário. Os herdeiros do conglomerado fundado pelo empresário João Santos formalizaram uma notificação extrajudicial contra a Moura Dubeux, acusando a construtora de tentar desestabilizar a venda de um terreno de 16 mil metros quadrados localizado na Praia de Boa Viagem. O lote, considerado a última joia da coroa da zona sul pernambucana, foi negociado com a Rio Ave em uma transação avaliada em meio bilhão de reais.

​O acordo firmado com a Rio Ave prevê um aporte de R$ 170 milhões em espécie, enquanto o saldo restante será quitado por meio da entrega de unidades habitacionais construídas no próprio local. De acordo com os inventariantes do espólio, a Moura Dubeux teria apresentado uma oferta financeiramente superior, mas a proposta foi sumariamente descartada. A recusa não se baseia em números, mas em uma resistência ética e comercial que os herdeiros fazem questão de tornar pública. Eles alegam que a construtora não é uma parceira viável devido a “problemas anteriores” que minaram qualquer possibilidade de diálogo.

​A animosidade entre as partes tem raízes profundas e envolve acusações graves. O grupo João Santos sustenta que, em anos anteriores, a Moura Dubeux teria corrompido funcionários do conglomerado para obter vantagens ilícitas na aquisição de cimento Nassau, principal produto do grupo. A desconfiança é tamanha que a notificação foi estendida à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), onde os representantes do espólio declararam sentir “ojeira comercial e empresarial” pela empresa preterida, reforçando que a decisão de não negociar é irrevogável.

​Por outro lado, a Moura Dubeux nega veementemente qualquer irregularidade e contesta a versão apresentada pelos herdeiros. A construtora afirma que há pelo menos quinze anos não consome produtos da marca Nassau e sinaliza que a narrativa construída pelo espólio é infundada. Diante do que classifica como um ataque à sua reputação, a empresa já avalia as medidas jurídicas cabíveis para processar os herdeiros por danos morais, o que promete levar a disputa das mesas de negociação diretamente para os tribunais.

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