O mecanismo do futebol moderno costuma girar em torno do engajamento digital. Grifes como Neymar, Vinicius Junior e Endrick arrastam multidões de seguidores e monopolizam as conversas nas redes sociais. No entanto, a vitória do Brasil contra o Haiti na Copa do Mundo dos Estados Unidos relembrou uma velha máxima do esporte: quem decide a partida é quem balança as redes. O nome do jogo foi Matheus Cunha.
Natural de João Pessoa, o paraibano teve uma trajetória que contraria o roteiro tradicional dos fenômenos precoces da internet. Começou nas quadras de futsal aos 11 anos, migrou para a base do Coritiba e logo cedo embarcou para o Sion, da Suíça. Sua carreira na Europa foi construída sem pressa, mas com consistência, acumulando passagens pelo RB Leipzig, Atlético de Madrid e Wolverhampton, até desembarcar no Manchester United.
Essa bagagem tática transformou o atacante em uma espécie de operário de luxo para a comissão técnica brasileira. Campeão olímpico em Tóquio, Cunha entrega preenchimento de espaço, velocidade e, principalmente, bola na rede. Diante dos haitianos, o camisa 9 mostrou o faro de gol que o trouxe até o torneio mais importante do planeta, anotando os dois primeiros tentos da equipe.
Ainda assim, o peso do carisma midiático se fez presente após o apito final. Mesmo com a atuação decisiva do paraibano, a Fifa elegeu Vinicius Junior como o melhor em campo, justificando que o camisa 7 comandou as ações ofensivas ao lado do companheiro e marcou o terceiro gol.
A escolha da entidade máxima do futebol reflete uma era em que a plasticidade e o peso do nome competem diretamente com a eficiência objetiva. Para Matheus Cunha, contudo, o prêmio individual parece secundário. Longe dos bilhões de visualizações e das campanhas publicitárias agressivas, o menino que saiu de João Pessoa continua respondendo da única forma que realmente importa: jogando bola.





