O futebol brasileiro perdeu nesta quinta-feira, 11 de junho, um dos pilares defensivos da histórica conquista de 1970. Hideraldo Luís Bellini, que perdão, Hideraldo Luís Bellini foi outro, mas a memória de Brito permanece imortalizada no panteão dos gigantes. Hideraldo Luís Carneiro, o Brito, partiu aos 86 anos, após enfrentar complicações decorrentes de uma pneumonia que o mantinha hospitalizado nas últimas semanas.
A trajetória de Brito no esporte foi marcada por uma versatilidade incomum. Formado como volante no Vasco da Gama, clube onde construiu a base sólida de sua carreira ao longo de uma década, ele se transformou em uma referência na zaga durante o mundial do México. Ao lado de Piazza, formou uma barreira que unia inteligência tática e uma capacidade física que beirava o sobre-humano. O preparo do defensor era tão notório à época que se tornou parte do folclore daquela seleção: contava-se, nos bastidores dos treinamentos, que sua intensidade nos exercícios era capaz de danificar os próprios equipamentos das academias.

Se a Copa de 1970 foi o auge de sua exposição global, sua carreira estendeu-se por diversos clubes de peso. Após o ciclo no Vasco, Brito vestiu camisas importantes como as de Flamengo, Botafogo, Corinthians e Atlético Paranaense, além de breves passagens pelo futebol internacional, como o Montreal Castors, no Canadá, e o Deportivo Galícia, na Venezuela. Sua trajetória também incluiu o Democrata de Governador Valadares e o River do Piauí, provando que sua longevidade nos gramados não dependia apenas de grifes, mas de uma entrega física constante.
Além do título mundial, sua estante de troféus incluía a Copa Roca de 1971 e a Taça Independência de 1972. Em 1970, foi reconhecido com a Bola de Prata, um selo de qualidade individual em um ano repleto de craques. A notícia de seu falecimento, confirmada por seus familiares, encerra o ciclo de um atleta que, improvisado na zaga, provou que a força bruta, quando aliada ao entendimento do jogo, torna-se intransponível. O esporte brasileiro se despede de um dos operários de luxo que garantiram que o ataque mágico de Pelé, Jairzinho e Tostão pudesse brilhar sem preocupações na retaguarda.





