Durante os anos 1990, a rotina de Edson Cardoso era ditada pela euforia dos palcos, pela rotatividade das câmeras e pelas coreografias que marcaram a cultura pop brasileira. Décadas após o auge como o dançarino Jacaré, no grupo É o Tchan, a cena é completamente diferente. Longe do assédio dos fãs e dos estúdios de televisão, ele trocou o ritmo dos holofotes pelas ferramentas de reconstrução civil no Canadá, onde vive desde 2016 com a esposa, Gabriela Mesquita, e os dois filhos.
A transição não aconteceu por acaso, mas por um cálculo pragmático sobre o futuro. Após o término do trabalho no humorístico Turma do Didi, na TV Globo, por volta de 2010, a volatilidade do mercado cultural se tornou uma inquietação constante para o casal. A dependência de novos contratos, do apelo do público e da aprovação do mercado artístico acendeu o alerta para a necessidade de um plano alternativo. A presença de familiares no exterior acabou servindo como bússola para o novo destino.
Nos primeiros anos em solo canadense, Edson ainda tentou dar continuidade à carreira nas artes fazendo figurações para produções locais. No entanto, a exigência do cotidiano o levou a redirecionar a trajetória profissional para o setor de recuperação de imóveis. A área, bastante demandada no país devido a incidentes climáticos e acidentes domésticos como alagamentos e incêndios, tornou-se o novo campo de atuação do baiano.
O trabalho começou na operação direta e evoluiu para a liderança. Hoje, atuando como supervisor na gestão de bens e conteúdos residenciais, ele coordena equipes responsáveis por catalogar, retirar, armazenar e recolocar móveis e pertences pessoais de famílias que precisam desocupar suas casas durante reformas cobertas por seguradoras.
A adaptação ao país também abriu espaço para novos empreendimentos familiares. Paralelamente às reformas, o ex-integrante do É o Tchan atua em ações publicitárias para uma empresa de consultoria focada em imigração, dirigida por sua esposa. A iniciativa orienta outros brasileiros que buscam refazer a vida no hemisfério norte.
A conquista da residência permanente, oficializada em 2023, selou a permanência definitiva do grupo familiar. Embora mantenha o vínculo afetivo com Salvador e com as lembranças do período em que figurava entre as personalidades mais conhecidas do país, Edson descarta um retorno ao Brasil. Para ele, a garantia de segurança pública, o acesso a bens de consumo básicos e a estabilidade financeira superam qualquer saudosismo do show business.




