A quinta-feira começou com portões fechados e protesto na Cidade Alta. Professores da rede municipal de Natal decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado e se reuniram em frente ao Palácio Felipe Camarão. O ato cobra respostas do Poder Executivo para negociações que se arrastam há meses sem avanço prático.
No centro da negociação está o pedido de reajuste salarial de 4,6% para este ano. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte-RN), o percentual cobre apenas uma parcela mínima da defasagem acumulada, que já chega a 60%. O impacto disso é direto no bolso: hoje, Natal paga o menor salário para educadores entre os dez maiores municípios do estado.
Outro nó da paralisação é a divisão da categoria. Atualmente, existem três planos de carreira diferentes dentro da própria rede. Na prática, professores que exercem a mesma função acabam recebendo salários distintos. Por isso, o sindicato exige a unificação dos planos e a isonomia dos vencimentos.
A pauta, porém, vai além da questão financeira. Quem está em sala de aula relata um cotidiano marcado pela escassez de recursos básicos. Faltam itens simples de higiene e limpeza, como desinfetante e papel higiênico, falta que já chegou a provocar a suspensão temporária de aulas em algumas unidades, além da carência crônica de professores.
Do outro lado, a Secretaria Municipal de Educação afirma que mantém um canal permanente de diálogo com os profissionais. A gestão destaca que garantiu o pagamento do piso da categoria nos últimos dois anos, mantém a folha em dia e quitou valores retroativos devidos aos servidores.
No primeiro dia de paralisação, a adesão foi parcial, com algumas escolas funcionando e outras com atividades suspensas. Segundo a liderança sindical, a categoria só deve retomar a rotina após a apresentação de propostas concretas por parte do município, encerrando o ciclo de conversas sem resultado praticado desde o início do ano.




