O Ministério da Educação (MEC) determinou a perda do cargo público do docente Antônio Lisboa Leitão de Souza, associado da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A decisão ocorre após a finalização de um processo administrativo que apurou infrações graves contra o corpo discente, incluindo assédio moral e condutas inapropriadas de teor sexual no ambiente acadêmico.
A medida punitiva, oficializada por meio de ato assinado pelo ministro Leonardo Osvaldo Barchini Rosa, teve como fundamento a constatação de que o profissional utilizava suas prerrogativas institucionais e a ascendência hierárquica do cargo para constranger alunas. O processo administrativo correu sob sigilo para preservar a identidade das estudantes que formalizaram as reclamações na ouvidoria da instituição.
O caso ganhou repercussão por envolver uma figura até então integrada a diferentes esferas sociais e intelectuais da cidade. Além de lecionar no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd), o professor exercia funções em órgãos consultivos locais, como o Conselho Municipal de Educação de Campina Grande. A UFCG informou que aguarda a notificação formal do ministério para retirar o servidor de sua folha de pagamentos e de suas atribuições letivas de forma definitiva.
Paralelamente às suas atividades como pesquisador, o docente teve trânsito no segmento religioso local. Ele foi ordenado diácono pela Diocese de Campina Grande em 2015, permanecendo na função eclesiástica até maio de 2026, quando foi desligado dos quadros da instituição de forma reservada. Ademais, registros do Tribunal de Justiça apontam que ele respondeu judicialmente a uma acusação de assédio sexual contra duas mulheres em 2017, caso que foi posteriormente arquivado após cumprimento de medidas alternativas e prestação de serviços à comunidade.
O desfecho do processo administrativo expõe as crescentes exigências por canais de denúncia eficazes e por posturas éticas rigorosas dentro das universidades federais do país. Representantes estudantis pontuam que o afastamento definitivo de servidores que violam a integridade física e psicológica de estudantes é um passo fundamental para a construção de ambientes acadêmicos seguros e acolhedores.
Tentativas de contato com a defesa técnica do ex-professor foram realizadas, mas não houve manifestação oficial até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos por parte de seus representantes legais.





