O fluxo logístico que alimenta o mercado clandestino de smartphones no Brasil sofreu um impacto severo. Uma força-tarefa mobilizada para desarticular uma sofisticada rede de receptação interceptou o envio de aparelhos roubados e furtados que utilizava o sistema postal para alcançar compradores em diferentes regiões do país. A ofensiva resultou na prisão de oito pessoas e no cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão.
As ações se concentraram no Rio de Janeiro e se estenderam por outros nove estados: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Pernambuco. O foco dos agentes é interromper o ciclo comercial que lucra com a violência urbana nas grandes capitais, transformando encomendas rotineiras em veículos para a lavagem de produtos ilícitos.
O monitoramento começou a partir de investigações da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), que uniu esforços com a Receita Federal. O trabalho de inteligência permitiu rastrear e reter pacotes que escondiam os telefones clonados ou adulterados. Na triagem das encomendas, os fiscais constataram que os aparelhos já constavam no sistema da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com o número de identificação internacional (IMEI) devidamente bloqueado por queixa de crime.
Agora, todos os eletrônicos recolhidos na nova fase passam por uma auditoria técnica. Os peritos buscam cruzar os dados dos dispositivos para localizar os legítimos proprietários e extrair pistas sobre os fornecedores originais. O objetivo da Polícia Civil é mapear a estrutura completa dessa organização, identificando desde os assaltantes que atuam nas ruas até os lojistas e distribuidores que colocam as mercadorias de volta no varejo formal e informal.
A investida faz parte da Operação Rastreio, um programa contínuo do governo fluminense desenhado para sufocar economicamente as quadrilhas especializadas em tecnologia de consumo. O balanço histórico do programa contabiliza a recuperação de mais de 13 mil celulares, dos quais cerca de seis mil já retornaram às mãos das vítimas. Além das apreensões de patrimônio, o cerco policial já tirou de circulação mais de 900 suspeitos, englobando assaltantes, transportadores e receptadores de grande porte.





