Uma operação policial que tinha tudo para ser celebrada como um dos maiores golpes contra o narcotráfico no interior do Ceará acabou se transformando em uma crise de gestão de segurança pública. Após a localização de uma lavoura com cerca de 290 mil pés de maconha em Acopiara, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) decidiram intervir não contra os criminosos, mas para entender por que o local do crime foi abandonado à própria sorte.

A descoberta, realizada por diferentes divisões da Polícia Civil da região sul do estado, revelou uma estrutura profissional de cultivo espalhada por três hectares. No acampamento montado no meio da mata, os agentes encontraram vestígios de uma fuga apressada, incluindo uma panela de feijão ainda no fogo, indicando que os cultivadores haviam escapado poucos minutos antes da chegada das viaturas. No total, a estimativa é de que a fazenda abrigasse cinco toneladas do entorpecente, divididas entre plantas em crescimento e mudas já colhidas.
O nó da questão surgiu após os primeiros procedimentos de destruição. Embora a polícia tenha divulgado imagens de tratores derrubando parte da plantação e iniciando a incineração, o grosso do material permaneceu intacto e fincado na terra. Sem equipes de plantão para isolar e proteger a propriedade, a imensa quantidade de droga ficou exposta e sem qualquer tipo de custódia oficial.

A vulnerabilidade do perímetro provocou uma reação imediata do Palácio da Abolição. Por ordem direta do governador Elmano de Freitas, a CGD instaurou um procedimento disciplinar para analisar a conduta dos policiais envolvidos na operação e descobrir quem falhou na ordem de preservação da área. Paralelamente, a SSPDS abriu um inquérito rigoroso para apurar as responsabilidades administrativas, prometendo punições firmes caso sejam comprovados desvios de conduta ou negligência operacional.
O caso expõe a complexidade que envolve o pós-operatório de grandes apreensões no campo. Enquanto a polícia busca fechar o cerco contra os produtores que conseguiram escapar, o foco principal agora se volta para os bastidores da própria polícia, que precisará explicar como um patrimônio criminoso dessa magnitude ficou desprotegido no meio do sertão cearense.





