Vídeo: Contaminação industrial interdita paraíso popular em Salvador

​Gerdau é multada em R$ 50 milhões após produtos químicos e metais pesados alterarem ecossistema na Praia de São Tomé de Paripe

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​Um dos refúgios mais populares do subúrbio ferroviário de Salvador transformou-se em cenário de alerta ecológico. O que começou com o aparecimento de manchas intrigantes em tons de azul e amarelo na areia e na água da Praia de São Tomé de Paripe culminou em uma crise institucional e ambiental de grandes proporções. A gravidade da situação levou a prefeitura da capital baiana a decretar estado crítico na região, medida oficializada pelo Decreto nº 41.834, com validade inicial de 90 dias. Com o reconhecimento do panorama pelo governo federal, o município agora busca verbas da União para financiar o socorro humanitário e tentar reverter os danos causados por um severo derramamento químico.

 

No centro da responsabilização financeira e jurídica está a Gerdau Aços Longos. Após meses de fiscalizações, coletas e análises laboratoriais conduzidas ao longo de 2026, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) aplicou a penalidade máxima permitida pela legislação do estado: uma multa de R$ 50 milhões. Os laudos técnicos apontaram que as atividades da empresa colaboraram diretamente para o desastre, que afetou não apenas o mar, mas também rios, lagoas e o lençol freático da localidade.

O diagnóstico dos biólogos e peritos é alarmante. As amostras colhidas na água superficial, nos sedimentos e até na água que se infiltra sob a areia revelaram concentrações de poluentes muito acima dos limites permitidos pela Resolução Conama nº 357/2005. O relatório aponta uma forte presença de metais pesados, especialmente o cobre, e de componentes da série nitrogenada, como nitrato, nitrito e nitrogênio amoniacal. O impacto atingiu diretamente a fauna local, sendo detectado no organismo de siris e moluscos bivalves, espécies fundamentais para o equilíbrio marinho e para a subsistência de pescadores da área.

Enquanto os técnicos tentam mensurar a extensão do passivo ambiental, a rotina dos moradores e turistas mudou drasticamente. Faixas da praia foram completamente bloqueadas e a recomendação do Inema é categórica: o contato com a água e com a areia deve ser evitado por tempo indeterminado devido aos riscos severos à saúde pública. O caso ultrapassou as esferas administrativas estaduais e agora avança na Justiça. O Ministério Público Federal já instaurou um inquérito civil para apurar as responsabilidades criminais e civis pelo despejo industrial, sinalizando que os desdobramentos para a empresa e para a recuperação da costa de Salvador estão longe do fim.

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