PMs são presos por sumiço de jovens na Bahia

Geolocalização de moto e imagens de câmeras em galpão abandonado desconstroem versão oficial e fundamentam tese de homicídio e sequestro praticados por agentes de segurança.

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​O desaparecimento de dois jovens em Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia, ganhou um desfecho drástico na manhã desta quarta-feira (20). Quatro policiais militares foram presos sob a acusação de envolvimento direto no caso, que vinha sendo investigado sob sigilo desde o dia 9 de novembro do ano passado. A operação conjunta expõe as entranhas de uma ação policial desastrosa que culminou no sumiço das vítimas após uma abordagem de rotina.

​Naquela noite de novembro, os jovens foram interceptados por uma viatura da corporação e colocados no compartimento traseiro do veículo. Foi o último registro formal da dupla. O que parecia um beco sem saída investigativo começou a ser solucionado por meio da tecnologia forense. Dados de geolocalização revelaram que a motocicleta das vítimas foi levada até um galpão abandonado nas proximidades da Avenida São Paulo, permanecendo imóvel no local entre as 22h35 e a 1h13 da madrugada.

​Para além dos sinais de GPS, circuitos de segurança da região registraram o movimento de três veículos no mesmo galpão durante o exato intervalo em que a motocicleta esteve estacionada. O cruzamento dessas informações tecnológicas derrubou o manto de invisibilidade que cercava o episódio, permitindo que as autoridades vinculassem diretamente a conduta dos quatro policiais aos crimes de sequestro, cárcere privado e homicídio qualificado.

​A ofensiva que resultou nas prisões também mirou o recolhimento de provas materiais. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os investigadores apreenderam seis armas de fogo, 163 munições de calibres variados, seis aparelhos celulares e um notebook. Todo o material passará por perícia técnica nos próximos dias, com o objetivo de extrair dados e confrontar vestígios balísticos que possam solidificar o inquérito.

​Conduzida de forma integrada, a força-tarefa mobiliza a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), por meio de sua Corregedoria Geral, a Corregedoria da Polícia Militar e o Ministério Público estadual, este representado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp).

​A prioridade absoluta das instituições agora divide-se em duas frentes distintas: localizar o paradeiro dos corpos dos jovens e identificar possíveis coautores ou mandantes que tenham colaborado para a execução ou ocultação dos delitos. A SSP-BA já sinalizou que o caso permanece aberto e que novas incursões e medidas cautelares podem ser deflagradas a qualquer momento, à medida que a análise dos eletrônicos apreendidos avance.

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