Bárbara Paz vai dirigir Willem Dafoe e Fernanda Torres em distopia sobre cafuné pago

Após quase levar o Oscar por "Ainda Estou Aqui", atriz brasileira se junta ao eterno Duende Verde em "Cuddle", drama sobre um mercado profissionalizado de afetos que promete emocionar Cannes e o público carente.

Compartilhe o Post

​Aparentemente, o futuro que nos espera não será governado por inteligências artificiais tirânicas ou hordas de mortos-vivos, mas sim por uma carência afetiva tão devastadora que transformará o carinho em moeda de troca. Essa é a premissa de Cuddle, o novo longa-metragem comandado por Bárbara Paz, cineasta que parece ter descoberto a fórmula para unir o prestígio cult do cinema internacional ao DNA das grandes bilheterias latino-americanas.

​O projeto marca o retorno triunfal de Fernanda Torres aos holofotes globais. Após a consagração e a badalada vitória de Ainda Estou Aqui na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar, a atriz carioca agora divide o protagonismo com ninguém menos que Willem Dafoe. Conhecido por interpretar personagens que operam na fronteira da insanidade e da intensidade excêntrica, Dafoe dará vida a Dante, um sujeito solitário cuja profissão consiste, literalmente, em alugar seu próprio calor humano, oferecendo conforto e conexões genuínas a desconhecidos mediante pagamento.

​A engrenagem narrativa, para desespero de quem prefere distopias repletas de explosões, gira em torno do afeto. A rotina mercantilizada de Dante sai dos trilhos quando ele cruza o caminho de Ava, papel de Torres. A personagem é descrita como uma imigrante carregada de uma força silenciosa e uma capacidade de empatia tão avassaladora que consegue desarmar um homem treinado para fingir sentimentos. O que se segue é o previsível, porém sempre eficaz, choque de almas que transforma o cinismo cotidiano em uma reflexão sobre o valor das pequenas interações humanas.

​O anúncio do longa movimentou os bastidores do Festival de Cannes, onde a presidente da Conspiração Filmes, Renata Brandão, não escondeu o entusiasmo com o potencial da obra de dialogar com uma audiência global que, ironicamente, consome cada vez mais telas e menos abraços. A executiva celebrou a parceria que costura o projeto.

​O peso institucional por trás da produção impressiona e desenha um porto seguro comercial para a empreitada artística. Cuddle surge blindado por uma coalizão de forças que inclui a Conspiração Filmes, a BP Produções e a gigante Buena Vista International, além de contar com o aval da VideoFilmes, produtora de Walter Salles, da Infinity Hill e do alcance massivo da TV Globo. Com esse consórcio de peso, o filme sobre a escassez do toque humano já nasce com a garantia de que não faltará espaço nas salas de cinema, provando que, no mercado audiovisual, o amor pode até ser escasso, mas o investimento nele continua bastante lucrativo.

Compartilhe o Post

Mais do Nordeste On.