Eficiência à força: o plano do Grupo Mateus para estancar despesas após corte bilionário de vagas

​Gigante do varejo elimina 13,9% de seu pessoal no Norte e Nordeste para ajustar contas após fusão e reverter pressões nas margens operacionais

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​O crescimento acelerado do Grupo Mateus no varejo alimentar do Norte e Nordeste deu lugar a uma severa cirurgia administrativa. Entre dezembro de 2025 e o início de 2026, a companhia enxugou seu quadro de colaboradores de 47,9 mil para 41,2 mil. O corte, que eliminou mais de 6,6 mil postos de trabalho, atingiu operações no Maranhão, Piauí, Ceará, Sergipe, Bahia e Pará, desenhando um novo momento para a empresa: a busca obsessiva por produtividade em detrimento da expansão acelerada.

​Os dados, revelados no balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026, expõem um paradoxo corporativo. Enquanto o faturamento líquido avançou 13%, alcançando R$ 9,4 bilhões, as despesas operacionais saltaram 29,3%, somando R$ 1,6 bilhão. Esse descompasso acendeu o sinal de alerta na diretoria, que justificou as demissões em massa como uma necessidade de adequação estrutural e eliminação de distorções mapeadas em auditorias internas de desempenho.

​Parte expressiva dessa pressão financeira decorre da integração com o Novo Atacarejo, rede pernambucana cuja fusão foi consolidada ao longo do ano passado. É justamente por isso que estados como Pernambuco, Paraíba e Alagoas ficaram de fora da onda de desligamentos. O processo de fusão inflou os custos fixos da companhia, exigindo uma reação rápida para acalmar o mercado financeiro, que ainda monitora a empresa com lupa desde a descoberta de um erro contábil de R$ 1,1 bilhão em 2024.

​Analistas de mercado apontam que a atual conjuntura da rede é complexa. O avanço no volume de vendas não tem se traduzido em rentabilidade na mesma proporção, indicando uma perda de fôlego na geração de caixa e compressão das margens de lucro. Esse cenário sinaliza que o foco da empresa precisou mudar da abertura desenfreada de lojas para o saneamento das operações já existentes.

​Embora o Grupo Mateus tenha reduzido seus investimentos em cerca de 20% na comparação anual, a promessa institucional é de que os projetos em andamento não serão abortados. No Ceará, por exemplo, onde a marca opera 21 unidades, quatro novas lojas seguem em construção. A estratégia agora parece ser a de concluir o que já foi iniciado, aplicando um filtro muito mais rígido para qualquer novo aporte de capital, na tentativa de equilibrar a balança entre tamanho e eficiência.

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