Tempero sob suspeita: Anvisa retira canela Kodilar do mercado por contaminação

​Laudo técnico aponta presença de fragmentos de roedores em lote específico, acionando protocolo de segurança alimentar e suspensão imediata de vendas

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​A rotina nas prateleiras de condimentos sofreu uma interrupção drástica nesta quarta-feira (6). Uma resolução publicada no Diário Oficial da União formalizou o recolhimento compulsório de unidades de canela em pó da marca Kodilar, após a detecção de elementos estranhos que extrapolam qualquer limite de tolerância sanitária. A medida, ditada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foca no lote 444/02, fabricado pela M.W.A. Comércio de Produtos Alimentícios Ltda, e impõe o bloqueio total de sua comercialização e uso.

O sinal de alerta partiu de Minas Gerais. Uma análise laboratorial minuciosa conduzida pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) identificou a presença de pelos de roedores e outros fragmentos biológicos de mamíferos não catalogados nas amostras. O resultado coloca o produto em rota de colisão direta com a segurança do consumidor, uma vez que tais componentes são vetores potenciais de patógenos e indicam falhas críticas na cadeia de processamento ou armazenamento da matéria-prima.

A decisão fundamenta-se no descumprimento da RDC nº 623/2022, norma que baliza os padrões de higiene para o setor alimentício no Brasil. Embora a legislação preveja uma margem mínima para matérias estranhas inevitáveis em colheitas, a natureza dos resíduos encontrados na canela da Kodilar ultrapassou os critérios de “boas práticas” exigidos para garantir que o alimento não ofereça riscos à saúde humana. O rigor da agência busca estancar a circulação de mercadorias que negligenciam o controle sanitário básico.

Com a suspensão vigente, a fabricante deve recolher o estoque remanescente enquanto canais de distribuição e pontos de venda estão proibidos de ofertar o item ao público. Para quem possui o produto em casa, a orientação é interromper o consumo e verificar a numeração no rótulo. O episódio reforça a vigilância sobre a indústria de especiarias, setor onde a pureza do ingrediente é frequentemente desafiada por processos de moagem e envase que exigem monitoramento constante contra pragas urbanas.

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