Uma estrutura ramificada que transformava áreas rurais em polos de produção industrial de entorpecentes sofreu um golpe severo nesta quarta-feira. Sob o comando da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba (FICCO/PB), a Operação Corte Profundo avançou sobre as divisas do Nordeste para neutralizar a cadeia completa do tráfico, da semente ao lucro final. A ofensiva não se limitou apenas à apreensão de substâncias, mas focou no desmonte da engenharia logística e financeira que sustenta o plantio ilícito na região.
O esforço operacional, que se fundiu à estratégia de erradicação contínua da Operação Carcará XIII, mobilizou equipes na Paraíba, Pernambuco, Maranhão e Bahia. O alvo central é um grupo com divisões de tarefas bem definidas: enquanto uma ala gerenciava o manejo agrícola das plantações de maconha, outros núcleos cuidavam do transporte interestadual e da lavagem dos ativos gerados pelo comércio. Ao todo, a Justiça expediu 19 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão, visando recolher provas que liguem os financiadores aos executores na ponta da linha.
A integração entre as polícias Federal, Civil, Militar e Penal, além de órgãos de administração penitenciária, reflete uma mudança de postura no enfrentamento ao crime organizado. Em vez de intervenções isoladas, as autoridades optaram por um cerco simultâneo para impedir que as lideranças migrassem para estados vizinhos durante as buscas. O material coletado nesta manhã, que inclui armamentos e valores em espécie, servirá para mapear novos braços da organização que ainda operam sob as sombras das áreas de caatinga e zonas urbanas.
Com a Corte Profundo, a FICCO/PB consolida uma doutrina de repressão qualificada, onde a inteligência compartimentada dá lugar ao compartilhamento de dados em tempo real. O resultado vai além das estatísticas de prisões; ele impõe um prejuízo financeiro direto aos grupos que utilizam o solo nordestino como base de operação para o mercado nacional de drogas. A ação permanece em curso, com o monitoramento de ativos que podem ser bloqueados judicialmente nos próximos dias.
Com assessoria





