A engenharia do fluxo: como Juazeiro (BA) tenta destravar vias e reduzir acidentes com o uso de rotatórias

​Município constrói sua 15ª intervenção viária do tipo no bairro Santo Antônio. Eficiência do modelo, no entanto, esbarra na necessidade de reeducação dos motoristas sobre regras de preferência e sinalização.

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O avanço da frota de veículos impõe desafios diários à mobilidade urbana, forçando as cidades a buscarem alternativas que garantam ao mesmo tempo segurança e agilidade. Em Juazeiro (BA), a aposta da Companhia de Segurança, Trânsito e Transporte (CSTT) para organizar os cruzamentos mais problemáticos recai sobre a construção e manutenção de interseções em círculo. Atualmente, o município baiano administra 14 rotatórias e avança nas obras de mais um equipamento, localizado nas imediações do Cemitério Municipal, no bairro Santo Antônio.

Mais do que um mero contorno, essas estruturas funcionam como moderadores físicos de velocidade. Segundo o supervisor de Educação para o Trânsito da autarquia municipal, João Carlos de Souza, o desenho geométrico dessas vias obriga a desaceleração justamente nos pontos onde os índices de colisão costumam ser mais altos. A vantagem do modelo reside na mobilidade contínua: o sistema previne congestionamentos ao permitir que os veículos continuem rodando, ainda que em ritmo reduzido, dispensando as paradas totais exigidas pelos semáforos.

A efetividade dessa intervenção de engenharia depende inteiramente do comportamento humano ao volante. A principal premissa para que o tráfego não trave é o respeito à regra da preferência. A lei determina que a prioridade de passagem pertence de forma absoluta a quem já está circulando pela pista arredondada. Não importa o tamanho ou a categoria do veículo; quem se aproxima do cruzamento deve, obrigatoriamente, pisar no freio e aguardar uma brecha segura para ingressar no fluxo.

Uma vez inserido no traçado, o motorista precisa manter o carro em movimento. Frear bruscamente ou parar no meio do contorno anula o propósito do sistema e provoca retenções imediatas em cascata. As únicas justificativas aceitas pelas normas de trânsito para a interrupção da marcha são a presença de pedestres atravessando sobre a faixa ou a aproximação de viaturas de emergência, como ambulâncias e carros de polícia em atendimento.

O funcionamento perfeito dessas interseções também cobra clareza na comunicação entre os condutores. Abandonar a via circular exige antecipação. O motorista deve posicionar o automóvel na faixa mais à direita momentos antes de realizar a conversão, acionando a luz indicadora de direção. O uso da seta avisa os demais usuários sobre a intenção de saída, permitindo que quem aguarda do lado de fora perceba que o caminho está livre, mantendo assim o ritmo constante que faz das rotatórias uma das soluções mais inteligentes do urbanismo moderno.

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