A rotina institucional do Banco de Brasília (BRB) sofreu um revés definitivo nesta quinta-feira (16/04). Paulo Henrique Costa, que comandou a instituição financeira, foi detido pela Polícia Federal sob a acusação de capitanear um esquema de corrupção passiva e lavagem de dinheiro que movimentou cifras astronômicas. O foco da Operação recai sobre a aquisição de seis imóveis de alto padrão, avaliados em R$ 146,5 milhões, que teriam servido como pagamento de propina pela facilitação de negócios com o Banco Master.
O rastreio financeiro indica que o patrimônio, distribuído entre quatro unidades em São Paulo e duas na capital federal, seria a recompensa por manobras administrativas que ignoraram protocolos rígidos de governança. De acordo com as investigações, Costa teria chancelado a compra de carteiras de ativos sem o devido lastro, garantias reais que sustentam operações de crédito seguras. Tais transações buscavam injetar liquidez no Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, em um momento em que a instituição tentava demonstrar solidez enquanto aguardava o aval do Banco Central para processos de aquisição.
A relação entre as duas entidades financeiras chegou ao ápice em março de 2025, quando o BRB formalizou uma proposta de compra. No entanto, o movimento foi barrado pela autoridade monetária, que identificou inconsistências no negócio. Os investigadores sustentam que a gestão de Paulo Henrique Costa atuou deliberadamente para favorecer o Master, submetendo o banco público a riscos elevados em troca de enriquecimento ilícito.
A prisão preventiva, executada em Brasília, marca um desdobramento severo na fiscalização do sistema financeiro nacional. A Polícia Federal agora busca aprofundar a conexão entre o fluxo de capitais e a rede de ocultação de bens, enquanto o BRB tenta isolar sua imagem institucional das condutas atribuídas ao seu ex-gestor. O caso expõe a fragilidade dos mecanismos de controle interno diante de decisões políticas e administrativas que priorizam interesses privados em detrimento do patrimônio público.





