O Boston Tea Party da Amarelinha: Brasil estreia era Ancelotti com revés e falta de pontaria

​Mesmo com um jogador a mais durante quase toda a etapa final, Seleção sofre com transições francesas e vê Mbappé brilhar em noite de recorde de público nos Estados Unidos.

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A aguardada estreia de Carlo Ancelotti no comando da Seleção Brasileira não teve o desfecho planejado nas pranchetas. No gramado do Gillette Stadium, que registrou o maior público da história do estádio para o futebol, o Brasil sucumbiu à eficiência da França por 2 a 1. O roteiro da partida em Boston expôs um contraste incômodo: enquanto a equipe brasileira detinha a posse e o volume ofensivo, os franceses entregaram letalidade, mesmo em condições adversas.

 

O primeiro tempo desenhou um Brasil elétrico, porém impreciso. O trio formado por Raphinha, Vini Jr e Martinelli ocupava os espaços, mas esbarrava na falta de refino no último toque. Vini Jr, vestindo a mística camisa 10, viveu uma partida de pouca inspiração, alternando lampejos com perdas de bola que impediram o fluxo das jogadas. Atrás, a insegurança de Ederson na saída com os pés trouxe uma tensão desnecessária ao setor defensivo, que acabou castigado aos 31 minutos. Em um contragolpe desenhado com precisão, Dembelé serviu Mbappé, que encobriu o arqueiro brasileiro para se isolar como o maior goleador da história dos Bleus.

 

O intervalo parecia ter trazido a solução quando Upamecano foi expulso logo aos sete minutos do segundo tempo por falta em Matheus Cunha. Com a vantagem numérica, Ancelotti oxigenou o ataque com Luiz Henrique, que deu nova vida ao corredor direito. Contudo, a superioridade em campo não se traduziu em gols. Em um erro de leitura defensiva, o Brasil permitiu que Olise conduzisse livre pelo meio e servisse Ekitiké, que ampliou o placar e silenciou a maioria brasileira nas arquibancadas.

 

A reação veio tarde, aos 32 minutos, quando a insistência de Casemiro evitou a saída da bola pela linha de fundo após cobrança de falta. O volante serviu Luiz Henrique, que escorou para Bremer diminuir o prejuízo. O gol injetou ânimo e o Brasil se lançou ao ataque, chegando a trocar Casemiro pelo meia Gabriel Sara na tentativa de sufocar o adversário. Bremer ainda teve a chance do empate nos acréscimos, mas a cabeçada para fora e a bola perdida por Igor Thiago no último lance selaram a derrota.

Ao apito final, as vaias dos mais de 66 mil presentes ecoaram como um diagnóstico imediato: há volume de jogo, mas falta a frieza que sobra aos atuais vice-campeões do mundo. Ancelotti deixa Boston com a lição de que o controle da posse é inócuo se não houver contundência para finalizar as chances criadas.

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