O Brasil amanhece nesta segunda-feira sob o peso de um dado alarmante: o país atravessou o Réveillon com 81,2 milhões de cidadãos impedidos de consumir plenamente. O contingente, que representa praticamente 50% da população adulta, agora encontra no 35º Feirão Limpa Nome uma tentativa de resgate financeiro. A iniciativa, que se estende até o dia 1º de abril, mobiliza mais de 2.200 empresas em uma força-tarefa que mistura tecnologia e capilaridade física para enfrentar o recorde histórico de inadimplência registrado ao fim de 2025.
A estrutura desta edição reflete a urgência em desburocratizar o retorno ao mercado. Mais do que apenas descontos que roçam a totalidade da dívida, chegando a 99% em casos específicos, a estratégia foca na agilidade transacional. A integração do pagamento via PIX permite que a reabilitação do crédito ocorra de forma quase instantânea, eliminando o hiato de espera que tradicionalmente desencoraja o devedor. Para quem não dispõe de liquidez imediata, o desenho das parcelas, que partem de R$ 9,90, tenta se adequar aos orçamentos domésticos mais fragilizados pela inflação e pelo custo de vida.
O ecossistema de negociação é vasto, abrangendo desde o varejo e universidades até serviços essenciais como energia e saneamento. No entanto, o feirão impõe limites claros: o mutirão não é uma anistia universal. Pendências com o fisco, cheques sem fundo e dívidas já protestadas em cartório permanecem fora do guarda-chuva da Serasa, exigindo que o contribuinte trilhe os caminhos rígidos da Receita Federal ou do Judiciário. Essa distinção é fundamental para o consumidor que busca limpar o nome, pois o foco aqui é a dívida comercial e de consumo, onde a margem para o “haircut” (corte de valor) é financeiramente viável para as empresas parceiras.
Para garantir a segurança jurídica e financeira da operação, o processo de consulta foi centralizado no Extrato Serasa. A ferramenta gratuita funciona como um raio-X da saúde fiscal do CPF, expondo de protestos a ações judiciais antes que qualquer compromisso seja firmado. A capilaridade da campanha também impressiona ao ignorar o abismo digital: além dos canais virtuais e do WhatsApp, mais de 7 mil agências dos Correios atuam como pontos de atendimento físico, garantindo que a oportunidade de renegociação alcance brasileiros desconectados ou que ainda priorizam o aperto de mão, ainda que mediado pelo balcão, na hora de selar um acordo.





