Houve um tempo, não muito distante, em que o maior medo de um jovem era a “morte social” por desconexão. Hoje, o cenário inverteu-se de forma quase poética: o verdadeiro prestígio não reside mais na quantidade de notificações acumuladas, mas na audácia de ignorá-las. Enquanto os Millennials e a Geração X lutam contra o vício algorítmico, os nativos digitais da Geração Z decidiram que o ato mais disruptivo de 2026 é, ironicamente, comportar-se como se estivéssemos em 1994.

A tendência do “cronicamente offline” floresce nos mesmos feeds que ela pretende esvaziar. É um paradoxo delicioso: influenciadores postam vídeos esteticamente impecáveis sobre como é maravilhoso não ter redes sociais, gerando um engajamento frenético em torno da própria ausência. Dados globais confirmam que o auge do frenesi digital ficou para trás em 2022. No Reino Unido, um terço dessa faixa etária já enviou ao menos um aplicativo para a lixeira virtual, enquanto nos Estados Unidos, jovens de 20 e poucos anos estão registrando menos tempo de tela do que seus pais, que parecem ter finalmente descoberto o buraco negro do Facebook.
O mercado, sempre atento a qualquer sinal de rebeldia que possa ser monetizado, já comercializa “ferramentas de bloqueio” e dispositivos analógicos que custam o preço de um smartphone de última geração, provando que o silêncio é o novo ouro. O direito ao anonimato e o prazer de um hobby que não gera conteúdo para o Instagram tornaram-se artigos de luxo. Se antes o status era estar “no loop”, agora a sofisticação é ser um fantasma no sistema.
Essa debandada não é apenas um capricho estético; é um mecanismo de defesa de uma geração que cansou de servir de combustível para o aprendizado de máquina. Ao redescobrirem o mundo físico, esses jovens estão transformando o tédio em uma ferramenta de sanidade. No fim das contas, a grande ironia da modernidade é que a tecnologia avançou tanto que o ápice da inteligência humana passou a ser a capacidade de apertar o botão de “desligar”.





