O silêncio do semiárido baiano foi interrompido não apenas pelo som de viaturas, mas pelo zumbido técnico que mudou o paradigma da vigilância rural. Em uma incursão estratégica na última sexta-feira, a Polícia Militar da Bahia utilizou o monitoramento aéreo por drones para localizar uma extensão de três hectares dedicada à produção de entorpecentes em Cafarnaum. O que as lentes capturaram, no entanto, foi muito além de uma simples plantação: tratava-se de um enclave tecnológico de alta performance, dotado de sistemas de irrigação automatizados e poços artesianos, evidenciando uma escala de profissionalismo que desafia as táticas de patrulhamento convencionais.
Ao atingirem as coordenadas indicadas pelo reconhecimento aéreo, os agentes se depararam com um cenário de desocupação imediata. O aparato encontrado, que incluía bombas submersas e reservatórios robustos, sugere um investimento financeiro considerável, transformando a geografia árida em um centro de beneficiamento produtivo. Parte da safra já havia sido processada, enquanto outra parcela secava sob o sol, aguardando a distribuição. A logística de fuga dos suspeitos, que se evadiram antes do cerco terrestre ser concluído, reforça a tese de que a vigilância periférica desses grupos tem se tornado tão ágil quanto a da própria segurança pública.
A ação em Cafarnaum insere-se em um contexto mais amplo de combate ao narcotráfico no chamado “Polígono da Maconha”, onde a geografia acidentada historicamente favoreceu o anonimato. Contudo, a integração de drones ao cotidiano policial está reduzindo as zonas cegas do estado. A erradicação do material, iniciada prontamente no local, serve como um golpe financeiro às redes de suprimento, mas o verdadeiro destaque reside na sofisticação dos acampamentos encontrados. A estrutura abandonada revela que o crime organizado no campo não opera mais de forma rudimentar, mas sim através de uma engenharia agrícola precisa que exige respostas igualmente tecnológicas e coordenadas.





