Vídeo: o naufrágio da memória. Furto de cabos e abandono técnico levam o Besnard ao leito de Santos

​Impedida de acionar bombas por falta de energia, embarcação histórica que deveria virar museu aderna no Porto após sofrer com as chuvas e o descaso institucional.

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O destino do navio oceanográfico Professor W. Besnard, que outrora liderou a ciência brasileira em águas antárticas, encontrou um obstáculo intransponível no lodo do estuário de Santos. Na última sexta-feira, a embarcação sucumbiu ao acúmulo de água das chuvas e à invasão do canal, inclinando-se até tocar o fundo. O incidente não foi fruto de uma falha mecânica imprevisível, mas de um revés urbano comum: o furto da fiação elétrica que alimentava os sistemas de drenagem do casco.

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Atracado no cais do Parque Valongo, o Besnard dependia de bombas de sucção para manter sua estabilidade física enquanto aguarda a prometida reforma. No entanto, o ponto de energia fornecido pela Prefeitura de Santos teve seus cabos de cobre subtraídos ainda antes do Carnaval. Sem eletricidade para ativar os equipamentos de emergência, o Instituto do Mar (Imar) assistiu à estrutura ser vencida pelo peso da água, sem que a notificação feita à administração municipal resultasse em reparos imediatos.

O projeto de transformar o antigo gigante dos mares em um museu flutuante, com salas de cinema e centros de pesquisa, hoje sobrevive quase exclusivamente do fôlego de voluntários. A escassez de investidores e a vulnerabilidade do local de atracação transformaram o plano cultural em uma luta de resistência contra a deterioração. O esforço da ONG para preservar o acervo histórico esbarra na precariedade de uma infraestrutura básica que, quando falha, coloca em risco a própria flutuabilidade do navio.

Enquanto a prefeitura agendou a religação dos cabos apenas para esta segunda-feira (16), o Besnard permanece como um retrato incômodo no horizonte portuário. O episódio expõe a fragilidade da custódia de patrimônios históricos que, longe da navegação ativa desde 2008, agora dependem de uma rede elétrica funcional para não desaparecerem sob a superfície do maior porto da América Latina.

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